CURITIBA – O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD), encontra-se em um momento de intensa pressão política e institucional. Enquanto busca consolidar sua imagem como um gestor eficiente e atraente para o mercado financeiro, vozes da oposição e de sindicatos intensificam as acusações de que haveria uma “duplicidade de discursos” em relação ao patrimônio público do estado.
A polêmica das promessas e as privatizações
O ponto central do desgaste remete ao histórico de declarações sobre a Copel. Durante sua campanha e início de mandato, o governador afirmou reiteradamente que não privatizaria a companhia de energia. No entanto, a transformação da empresa em corporação e a venda de ações no mercado de capitais foram concretizadas, o que gerou críticas severas de entidades como a APP-Sindicato e deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
A pergunta que ecoa nos corredores políticos é se o governo prioriza o lucro dos acionistas ou a modicidade tarifária para o cidadão paranaense. Em eventos recentes com investidores, como o J.Safra Brazil Conference, Ratinho Júnior defendeu o modelo de concessões e privatizações (incluindo Sercomtel, Ferroeste e a possível venda da Celepar) como a única via para a modernização logística e tecnológica do estado.
O cenário em 2026: Segurança e eleições
Para contrapor a narrativa de “abandono do povo”, o Palácio Iguaçu tem apostado em entregas de grande impacto visual e social. No início de maio de 2026, o governador anunciou um investimento recorde de R$ 338 milhões em segurança pública, incluindo viaturas, armamentos e a nova sede do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
| Setor | Status da Gestão (2026) | Principal Crítica da Oposição |
|---|---|---|
| Energia (Copel) | Privatizada/Corporação | Quebra de promessa de campanha |
| Tecnologia (Celepar) | Em processo de venda | Risco à soberania de dados dos cidadãos |
| Educação | Investimento em tecnologia | “Empresariamento” da escola pública |
| Infraestrutura | Pacote robusto de concessões | Tarifas de pedágio e contratos “leoninos” |
Desistência presidencial e o futuro político
Recentemente, a desistência de Ratinho Júnior da corrida presidencial — noticiada como um recuo estratégico para manter sua influência no Paraná diante da ascensão de figuras como Sergio Moro e o clã Bolsonaro — mudou o tom do debate. Sem o foco nacional, o governador agora precisa lidar com uma oposição que promete travar novas privatizações e auditar contratos de concessão sob a alegação de falta de transparência.
Para os investidores, Ratinho é o símbolo de um “Paraná privatista” e seguro. Para seus detratores, o discurso de modernidade esconde uma venda desenfreada de ativos que pertenciam à população. O embate sobre quem detém a “verdade” dos fatos deve ser o combustível principal até o encerramento do atual mandato.




