O Harvard Club, em Nova York, torna-se nesta semana o epicentro do poder e da articulação política brasileira. O 15º Lide Brazil Investment Forum, evento organizado pelo grupo fundado por João Doria, reúne uma comitiva de peso que inclui governadores, parlamentares e nomes que já se posicionam para a sucessão presidencial de 2026. No entanto, os debates sobre economia e reformas dividem as atenções com o “fantasma” de Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, cujo nome tem sido associado a controvérsias que ecoam nos bastidores do encontro.
Articulação para 2026 e o peso da direita
O evento deste ano é marcado por uma forte presença de lideranças da direita e centro-direita. Entre os confirmados estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ronaldo Caiado (Goiás), Romeu Zema (Minas Gerais), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Jr. (Paraná). A programação dedica painéis específicos para os chamados “presidenciáveis”, contando ainda com as participações do ex-presidente Michel Temer, do ex-ministro Aldo Rebelo e do escritor Augusto Cury.
Para observadores políticos, o fórum funciona como um “salão privado” fora do país, onde o lobby e o relacionamento institucional permitem que pré-candidatos meçam forças e alinhem discursos longe do escrutínio direto do eleitorado nacional.
A polêmica em torno de Daniel Vorcaro
Apesar do ambiente de gala, o clima é de cautela devido às recentes investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Vorcaro, que chegou a ser premiado pelo Lide em 2024 na categoria Empreendedorismo, hoje enfrenta um cenário de pressão jurídica. Em março de 2026, depoimentos em CPIs no Senado apontaram indícios de que o banqueiro poderia atuar em nome de terceiros e utilizar empresas de fachada para ocultar transações imobiliárias.
A organização do Lide chegou a remover de suas plataformas digitais vídeos de homenagens anteriores a Vorcaro após as denúncias de fraudes virem a público. O incômodo é nítido: o banqueiro já foi um dos grandes patrocinadores de jantares exclusivos para ministros de tribunais superiores e políticos de alto escalão em edições passadas em Nova York. Agora, sua “sombra” levanta questionamentos sobre a promiscuidade entre grandes financiadores e a classe política em fóruns internacionais.
Debates técnicos sob tensão política
Além da sucessão presidencial, o fórum aborda temas como a Reforma Tributária, com a presença de figuras como Flávio César, presidente do Comsefaz. O objetivo oficial é a aproximação entre o mercado brasileiro e investidores internacionais, buscando vender uma imagem de segurança jurídica e estabilidade econômica.
Contudo, entre um painel e outro, o que se ouve nos corredores do Harvard Club são as preocupações com os desdobramentos das operações da Polícia Federal que miram o setor financeiro e como isso pode respingar nos aliados políticos que, até pouco tempo, dividiam a mesa com os investigados. Enquanto o Brasil discute juros e responsabilidade fiscal no palco, os bastidores de Nova York mostram que a política nacional continua sendo jogada no campo minado das relações perigosas entre o público e o privado.




