BRASÍLIA — A maioria da população brasileira se posicionou de forma contrária à flexibilização das punições aplicadas aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. Segundo dados da nova pesquisa Genial/Quaest divulgados neste domingo (17), 52% dos entrevistados são contra a redução das penas, enquanto 39% se declararam favoráveis à medida. Outros 9% não souberam ou não responderam.
O levantamento aponta um crescimento na rejeição ao abrandamento das sentenças. Em dezembro do ano passado, o cenário mostrava um empate técnico exato, com 46% dos entrevistados contrários e 46% favoráveis ao recuo nas punições.
O foco político e a Lei da Dosimetria
O debate público ganhou tração após o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que ficou conhecido como Lei da Dosimetria. A nova legislação impede a soma integral das penas para os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, o que, na prática, reduz o tempo de prisão em regime fechado e acelera a progressão de regime dos condenados.
A percepção popular sobre o real objetivo da proposta também foi mapeada pela Quaest:
- 54% dos entrevistados acreditam que a lei foi aprovada especificamente para reduzir a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro.
- 34% avaliam que a intenção da medida foi reduzir a pena de todos os condenados de forma geral.
- 12% não souberam ou preferiram não responder.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes correlatos, e é um dos potenciais beneficiados diretos pela nova dosimetria aprovada pelo Legislativo.
Polarização ideológica molda os resultados
Os dados detalhados revelam o tamanho da divisão ideológica que persiste no país sobre o tema. A rejeição ao alívio das penas encontra seu pico entre os espectros progressistas e independentes, enquanto o apoio se concentra na base aliada da oposição:
| Segmento Político / Eleitoral | Contra a redução das penas | A favor da redução das penas |
|---|---|---|
| Esquerda não lulista | 77% | – |
| Eleitores de Lula (PT) | 72% | 21% |
| Eleitores Independentes | 58% | 31% |
| Direita não bolsonarista | – | 67% |
| Eleitores de Bolsonaro (PL) | 31% | 73% |
Metodologia da pesquisa: A Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com mais de 16 anos entre os dias 8 e 11 de maio. As entrevistas foram realizadas face a face, em formato domiciliar. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.





