O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do partido na Câmara, protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Inquérito 4.995, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes. A investigação foca na suposta articulação internacional para pressionar o Judiciário brasileiro, e o parlamentar argumenta que os novos desdobramentos envolvendo o financiamento da cinebiografia Dark Horse justificam a ampliação do caso.
O foco na captação de recursos e no exterior
A representação apresentada por Lindbergh baseia-se em revelações recentes sobre tratativas milionárias ligadas à produção do filme. Segundo o documento, há indícios de que Flávio Bolsonaro teria atuado diretamente na captação de valores estimados entre US$ 24 milhões e US$ 26,8 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação citada) com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
A suspeita levantada pelo parlamentar é de que parte desses recursos possa ter sido direcionada para fins diferentes da produção cinematográfica, incluindo o custeio de atividades do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. O inquérito atual já apura se a atuação de Eduardo no exterior buscou apoio de autoridades estrangeiras para impor sanções ou constranger ministros do STF.
“A petição sustenta a necessidade de rastrear o destino final do dinheiro, apontando uma ‘contradição central’: enquanto diálogos indicam pedidos expressos de repasses para a obra, a produtora responsável afirmou publicamente não ter recebido tais quantias de Vorcaro.”
Dupla vertente de benefício político
De acordo com a argumentação enviada ao Supremo, o ex-presidente Jair Bolsonaro figuraria como beneficiário direto do esquema sob duas perspectivas:
- Reconstrução de imagem: O lançamento do documentário biográfico estava previsto para o segundo semestre, semanas antes do pleito eleitoral, funcionando como uma vitrine política.
- Ofensiva internacional: O suposto uso de fundos estrangeiros para respaldar agendas políticas fora do país que visavam desestabilizar o andamento de processos judiciais no Brasil.
Outras frentes de apuração no Supremo
O caso Dark Horse também ecoa em outros gabinetes da Corte. Paralelamente ao pedido de Lindbergh Farias, o ministro Flávio Dino comanda uma apuração sobre o uso de emendas parlamentares destinadas por deputados do PL a entidades ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo projeto do filme. Essa linha de investigação foca em um possível desvio de finalidade ou financiamento eleitoral indireto com verba pública.
Defesa e manifestações dos citados
Os envolvidos negam veementemente qualquer irregularidade:
- Flávio Bolsonaro: O senador confirmou a existência de conversas a respeito do projeto audiovisual, justificando que negativas anteriores se deviam a cláusulas de confidencialidade com investidores. Ele nega desvios e sustenta a legalidade das tratativas privadas.
- Eduardo Bolsonaro: Classificou como “tosca” a tese de que teria recebido ou controlado fundos da produção para financiar sua permanência ou agendas nos Estados Unidos.
- Mário Frias e produtora: O deputado federal (PL-SP), idealizador do roteiro, e a equipe da produtora reiteram que o projeto não contou com recursos do Banco Master ou de Vorcaro e defendem a regularidade dos apoios culturais recebidos.





