O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) condenou o Hospital São Sebastião, localizado em Inhumas (GO), ao pagamento de R$ 1 milhão em indenizações por danos morais às duas famílias afetadas por uma troca de bebês na maternidade. A decisão, proferida pela magistrada Diéssica Taís Silva, da Vara Cível da Comarca de Inhumas, determina que cada um dos quatro pais envolvidos — Cláudio Alves, Yasmin Kessia da Silva, Isamara Cristina Mendanha e Guilherme Luiz de Souza — receba R$ 250 mil. O hospital também terá de restituir o valor de R$ 880 referente aos gastos que os casais tiveram com a realização dos exames de DNA.
Na sentença, a juíza classificou o episódio como uma “gravíssima violação” aos direitos fundamentais e à dignidade das famílias. Como o veredicto foi estabelecido em primeira instância, a instituição de saúde ainda poderá recorrer da decisão.
O histórico do caso e a descoberta do erro
O erro na maternidade aconteceu em outubro de 2021, logo após o nascimento dos dois meninos, que vieram ao mundo com uma diferença de apenas 14 minutos. O caso, porém, só foi descoberto cerca de três anos depois, em 2024.
As suspeitas começaram quando Cláudio Alves notou a falta de semelhança física com o menino que criava e decidiu solicitar um teste de paternidade. Diante da desconfiança do companheiro e certa de sua fidelidade, Yasmin afirmou que, se a criança não fosse dele, também não seria dela, optando por realizar o próprio teste genético. O resultado comprovou a incompatibilidade biológica do menino com ambos os pais, o que deu início a uma dolorosa busca pela verdade.
O casal conseguiu localizar Isamara e Guilherme, que haviam estado na mesma maternidade e no mesmo dia do parto. Um novo teste de DNA foi realizado com o menino criado pelo segundo casal, confirmando de maneira definitiva a troca dos bebês. Na época das investigações, a Polícia Civil de Goiás concluiu o inquérito apontando que o episódio ocorreu devido a uma falha administrativa e assistencial da equipe hospitalar, descartando a existência de crime ou dolo.
Documentos alterados e o desafio da adaptação gradual
Em outubro de 2025, uma decisão judicial determinou o retorno das duas crianças aos seus respectivos lares biológicos. Para minimizar o impacto psicológico nos menores, a Justiça estabeleceu um cronograma de transição gradual e estipulou uma espécie de guarda compartilhada entre os casais, dividindo a rotina e os finais de semana entre os lares biológicos e socioafetivos. Além disso, as certidões de nascimento dos meninos foram oficialmente retificadas para incluir o nome dos quatro pais e das duas mães, assegurando legalmente os vínculos de afeto criados desde o nascimento.
Apesar do avanço nos tribunais e da união entre os casais para facilitar a convivência diária, as famílias relatam que o processo de adaptação continua sendo um desafio complexo. Por serem muito novos, os meninos ainda enfrentam dificuldades para assimilar a nova realidade e reconhecer os pais biológicos, mantendo uma forte ligação psicológica com os pais que os criaram nos primeiros anos de vida. Mesmo diante da dolorosa transição e do desgaste emocional, os casais manifestaram confiança na Justiça após a publicação da sentença indenizatória.





