O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo brasileiro adote com urgência as providências necessárias para a repatriação e “efetiva” extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, que se encontra presa em Roma, na Itália. A ordem judicial, direcionada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), visa dar cumprimento imediato à execução da pena da ex-parlamentar após autorização da Corte de Apelação de Roma.
Zambelli foi condenada pelo STF a uma pena de 10 anos de prisão pelo crime de invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023. De acordo com as investigações da Polícia Federal, ela atuou como a autora intelectual do ataque hacker executado por Walter Delgatti, que resultou na inserção de um mandado falso de prisão contra o próprio ministro Alexandre de Moraes no sistema do Judiciário. A ex-deputada também soma outra condenação de 5 anos e 3 meses de reclusão em regime semiaberto por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, decorrente do episódio em que perseguiu um homem armada em São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
Após ter seu mandado de prisão expedido e perder o cargo na Câmara dos Deputados, Zambelli viajou para a Europa, sob a alegação de buscar asilo político por suposta perseguição. Contudo, ela foi localizada e presa por agentes da Interpol na capital italiana no final de julho de 2025. Desde então, a ex-parlamentar permanece detida na ala feminina do presídio de Rebibbia, em Roma, enquanto tentava reverter o envio compulsório ao Brasil por meio de recursos ao Judiciário europeu.
A decisão de Moraes ocorre após a Justiça italiana referendar um parecer favorável à extradição. Para que o processo seja totalmente concluído, as autoridades de Roma solicitaram ao governo brasileiro garantias formais sobre as condições do sistema prisional onde a condenada ficará custodiada, exigindo relatórios detalhados a respeito da segurança das alas femininas, a separação entre presas provisórias e condenadas, e a integridade física da detenta contra possíveis ameaças de facções criminosas.
Com a determinação do ministro do STF, os órgãos federais do Brasil devem enviar esses esclarecimentos e alinhar a logística de repatriação junto ao governo italiano. Caso as tratativas diplomáticas e de segurança sejam validadas e recebam o aval final do Ministério da Justiça da Itália — que detém a palavra final sobre a entrega —, Carla Zambelli será transferida sob custódia policial ao território brasileiro, onde deverá cumprir sua pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida popularmente como Colmeia.





