A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram nesta quinta-feira (21 de maio de 2026) a Operação Vérnix, que resultou na prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com as autoridades, o início de toda a apuração ocorreu de forma inusitada: por meio de fragmentos de bilhetes interceptados e recuperados do esgoto de uma penitenciária paulista.
Os manuscritos, apreendidos originalmente em 2019 com detentos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau — unidade que abriga a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) —, continham ordens internas e planos de atentados contra servidores públicos. A partir do resgate desses bilhetes, a polícia instaurou três inquéritos sucessivos para mapear a estrutura de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
O elo entre os bilhetes e a influenciadora
Embora o nome de Deolane Bezerra não constasse de forma direta nas mensagens originais dos presos, o conteúdo dos bilhetes citava uma transportadora de cargas criada e operada pelo crime organizado para o “branqueamento” de capitais ilícitos.
Ao aprofundar as investigações com a quebra de sigilos bancários e fiscais, a Polícia Civil e o MP identificaram que a influenciadora mantinha vínculos financeiros estreitos com essa transportadora, figurando como beneficiária de expressivos repasses financeiros. Diante disso, as autoridades deflagraram a nova operação, que também determinou o bloqueio de R$ 327 milhões e mirou outros suspeitos vinculados ao esquema, incluindo familiares de lideranças da facção.
Histórico de investigações
Esta não é a primeira vez que a advogada é alvo de operações policiais. Em setembro de 2024, Deolane chegou a ser detida em Recife durante a Operação Integration, conduzida à época pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava lavagem de dinheiro ligada a plataformas de apostas online (bets) e jogos ilegais. No início de 2026, a Justiça Federal assumiu a competência daquele caso, anulando os atos estaduais anteriores e transferindo a condução dos inquéritos sobre crimes financeiros para a Polícia Federal.
A defesa de Deolane Bezerra tem reiterado em ocasiões anteriores que a influenciadora nega qualquer envolvimento com atividades ilícitas e se diz vítima de perseguição, ressaltando sua confiança na Justiça e total disposição para prestar esclarecimentos às autoridades competentes.





