O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), viajou para os Estados Unidos com o objetivo de se encontrar com o presidente norte-americano Donald Trump. O movimento ocorre em meio a um momento de forte turbulência política para o parlamentar brasileiro, que tenta usar a agenda externa para blindar sua pré-campanha ao Palácio do Planalto.
Apesar da expectativa da comitiva do senador, a Casa Branca divulgou a agenda oficial de Donald Trump e o nome de Flávio Bolsonaro não consta nos compromissos formais do mandatário estadunidense.
A equipe do parlamentar, no entanto, mantém o otimismo de que uma reunião bilateral ou uma conversa reservada ocorra fora da agenda pública. A estratégia de aproximação foi articulada nos bastidores pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — que reside nos Estados Unidos — e teria contado com a interlocução do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Se concretizado, o diálogo deve focar em pautas de segurança pública e no combate ao crime organizado, com a defesa de que facções criminosas brasileiras sejam equiparadas a organizações terroristas.
Estratégia para estancar crise interna
Nos bastidores do Partido Liberal (PL), a viagem é vista como um movimento crucial para estancar o desgaste político sofrido por Flávio Bolsonaro após os recentes vazamentos de suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio gerou especulações sobre a viabilidade de sua candidatura presidencial e abriu espaço para questionamentos internos na ala de oposição.
Questionado publicamente no Congresso Nacional sobre a autoria do pedido de audiência com o líder republicano, Flávio rechaçou a narrativa de que teria ido “bater à porta” de Washington por iniciativa própria. “No, I didn’t ask anything. Nobody asked” (“Não, eu não pedi nada. Ninguém pediu”), declarou o senador em inglês a jornalistas, sinalizando que o aceno original teria partido do próprio governo norte-americano e que cabe agora à Casa Branca definir os moldes do encontro.
Enquanto a confirmação oficial não ocorre, o cenário serve de termômetro para medir a força internacional do bolsonarismo e a capacidade de Flávio em manter a coesão de sua base de apoio diante do fogo cruzado enfrentado no plano doméstico.





