Governo do Paraná e investidores divergem sobre eficiência da Celepar em meio a planos de privatização

O processo de privatização da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar), proposto pelo governador Ratinho Junior (PSD), centraliza as discussões políticas e econômicas no estado devido a visões conflitantes sobre a real situação financeira e tecnológica da empresa. Enquanto o governo estadual defende a venda sob o argumento de que a companhia necessita de modernização, documentos oficiais destinados ao mercado financeiro apresentam um cenário de alta rentabilidade e eficiência.
Em apresentações sigilosas levadas a potenciais investidores, a Celepar é classificada como uma instituição “estratégica”, “lucrativa” e “inovadora”, destacando seu papel central na infraestrutura digital do Paraná. O relatório financeiro aponta que a empresa mantém as contas públicas equilibradas e gera receitas consistentes, o que contradiz diretamente as declarações públicas do chefe do Executivo paranaense. Em entrevistas recentes, o governador Ratinho Junior justificou a desestatização afirmando que a estrutura estatal estaria se tornando “obsoleta” diante da rápida evolução do mercado de tecnologia privado.
A oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e sindicatos de trabalhadores da área de tecnologia utilizam os dados dos próprios relatórios governamentais para questionar a necessidade da venda. Os críticos da privatização alertam para o risco de perda de soberania sobre dados sigilosos dos cidadãos paranaenses, além do potencial aumento de custos para a administração pública após a transferência dos serviços para o setor privado.
Por outro lado, defensores do projeto de lei argumentam que a gestão privada trará maior agilidade na contratação de novas tecnologias, desonerando o Estado de investimentos contínuos em atualização de hardware e software. O projeto segue em tramitação e análise pelas comissões temáticas, atraindo a atenção de grandes grupos do setor de tecnologia da informação interessados em assumir a operação dos serviços digitais do estado.

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