O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), anunciou oficialmente a retirada de sua pré-candidatura ao Senado Federal para as eleições deste ano. A decisão foi formalizada pelo próprio político em recado enviado ao presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, e confirmada em um pronunciamento público feito por meio de suas redes sociais.
O recuo estratégico de Castro ocorre imediatamente após ele se tornar o epicentro de uma crise política provocada por duas operações consecutivas da Polícia Federal (PF) em um intervalo de menos de duas semanas. A mais recente delas, a oitava fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), investiga um suposto esquema de corrupção e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o fundo de previdência estadual, o Rioprevidência, e o Banco Master.
Segundo as investigações da PF, teria havido influência política para que o fundo fluminense aportasse cerca de R$ 3,6 bilhões em investimentos de risco na instituição financeira. Os investigadores apontam um forte sincronismo entre agendas de Castro com o banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, e as transferências bilionárias de recursos públicos. Duas semanas antes, o ex-governador já havia sido alvo de buscas em outra apuração relacionada a supostas fraudes fiscais na refinaria Refit.
Em vídeo divulgado, Cláudio Castro classificou o momento como o mais difícil de sua trajetória pública e justificou o recuo para focar integralmente em sua defesa jurídica. “Foram dias de dor, dias de exposição, dias de mentiras, dias de narrativas. Muito pior do que a mentira é a meia-verdade”, declarou. O ex-governador negou qualquer irregularidade e sustentou que seus advogados comprovarão a lisura de todos os seus atos institucionais. Ele também ressaltou que o afastamento das urnas é temporário: “Não encerro a minha vida política aqui. Somente dou um passo necessário”.
A saída de cena do ex-governador atende a uma forte pressão de bastidores vinda da cúpula do próprio PL. Interlocutores do partido avaliaram que a manutenção de seu nome na disputa majoritária traria um desgaste severo e inevitável para a legenda no Rio de Janeiro. Havia um temor direto de que as suspeitas que pesam sobre Castro pudessem contaminar o palanque e a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cujo grupo político busca manter a hegemonia no eleitorado fluminense.
Além do cerco policial e do desgaste político, o projeto eleitoral de Castro já vinha sendo fragilizado por entraves jurídicos, visto que o ex-governador se encontra inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em decorrência de um processo anterior sobre cargos fantasmas na Fundação Ceperj e na Uerj. Com a desistência definitiva de Castro, articuladores do PL dão início às discussões internas para preencher a vaga, com o senador Carlos Portinho despontando como um dos nomes naturais para tentar viabilizar a sua reeleição na chapa partidária.





