Polícia Federal recua e volta a analisar acordo de delação premiada com banqueiro Daniel Vorcaro


Brasília – Após recusar inicialmente a proposta por considerar as provas insuficientes, a Polícia Federal (PF) reabriu o canal de diálogo e voltou a admitir a possibilidade de firmar um acordo de delação premiada com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A reviravolta nas tratativas ocorre após uma reformulação estratégica na equipe de defesa do executivo, que está preso na Superintendência da PF em Brasília em decorrência de investigações sobre um rombo financeiro bilionário.
O recuo da corporação acontece exatamente uma semana depois de a própria PF rejeitar formalmente os primeiros anexos apresentados por Vorcaro. Na ocasião, os investigadores avaliaram que o banqueiro estaria omitindo informações cruciais e agindo com “seletividade” no compartilhamento de provas, mesmo após ter oferecido o ressarcimento de valores expressivos (estimados entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões) aos cofres públicos.
O cenário mudou significativamente com a saída do advogado criminalista conhecido como Juca do comando da bancada jurídica de Vorcaro. O posto de defensor principal foi assumido pelo advogado Sérgio Leonardo, o que abriu caminho para que a Polícia Federal estabelecesse o chamado “marco zero” do processo. Sob nova orientação legal, o banqueiro deve reapresentar seus anexos de delação com informações adicionais e provas consideradas mais robustas pela corporação.

O peso das provas e os próximos passos

Investigadores da PF apontam que os dados extraídos do aparelho celular de Vorcaro já forneciam indícios contundentes, por si sós, sobre o amplo esquema de corrupção e desvios. O aparelho expôs, por exemplo, registros de jantares e viagens luxuosas ao exterior pagas pelo banqueiro a figuras públicas proeminentes, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Por esse motivo, a exigência da PF é que o depoimento do executivo traga fatos inéditos que complementem o que a perícia técnica já mapeou.
A partir de agora, os novos termos e depoimentos que Daniel Vorcaro se propuser a entregar passarão por um rigoroso escrutínio conjunto. O material será submetido à análise tanto dos delegados da Polícia Federal quanto de procuradores da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Paralelamente, os investigadores monitoram o andamento de colaborações de outras figuras ligadas ao caso. Espera-se que a delação de Fabiano Zetel, cunhado de Vorcaro, caminhe de forma coordenada e sem contradições com a do banqueiro. Além disso, interlocutores apontam que um acordo de cooperação com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, também deve avançar nas próximas semanas, aumentando a pressão sobre o ecossistema de fraudes que envolveu o Banco Master.
A homologação ou rejeição final de qualquer eventual termo de colaboração premiada dependerá do aval do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

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