A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou uma nova etapa da Operação Contenção, com o objetivo de desarticular o núcleo financeiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV). A ofensiva foca no esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 435 milhões nos últimos quatro anos através de uma complexa rede de empresas de fachada e operadores financeiros.
Ao todo, os agentes mobilizaram equipes para cumprir 21 mandados de prisão e de busca e apreensão. A ação não ficou restrita ao território fluminense, estendendo-se também a alvos localizados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão. O principal alvo da operação é o traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido popularmente como Rabicó, uma das lideranças mais expressivas do Comando Vermelho e chefe do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Embora Rabicó não tenha sido localizado e permaneça foragido, as forças de segurança prenderam sua esposa, Raquel Nunes dos Santos Mendonça. Ela foi encaminhada diretamente para o sistema prisional do estado.
A estrutura do esquema foi mapeada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), com o suporte técnico de relatórios de inteligência financeira emitidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A investigação contou com a quebra de sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático, revelando como o capital oriundo do tráfico de drogas era ocultado.
Segundo as autoridades, o Comando Vermelho utilizava estabelecimentos como ferros-velhos e depósitos de reciclagem para justificar a circulação do dinheiro lícito-falso. O operador financeiro ligado a Rabicó gerenciava as contas bancárias e emitia notas fiscais frias, simulando o comércio legítimo de sucatas. Durante as investigações, a polícia também constatou o envolvimento do grupo na receptação e queima de fios e cabos de cobre furtados de concessionárias de serviços públicos, cujos lucros também eram lavados na mesma rede empresarial.
A denúncia que embasou as ordens judiciais foi oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio de Janeiro, e os mandados foram expedidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado. As investigações continuam em andamento para identificar outros integrantes da rede e congelar os ativos patrimoniais da organização criminosa.





