A percepção de risco sobre a economia argentina voltou a se deteriorar significativamente, acendendo um sinal de alerta nos mercados financeiros regionais e internacionais. O risco-país da Argentina, medido pelo índice EMBI+ do JPMorgan, voltou a ultrapassar a marca dos 500 pontos base, atingindo os 506 pontos. O movimento representa uma reversão expressiva em relação às mínimas históricas registradas na gestão do presidente Javier Milei, quando o indicador havia chegado perto do patamar dos 400 pontos após revisões positivas da dívida por agências de classificação de risco.
A recente desconfiança dos investidores decorre de uma combinação de pressões no cenário externo com incertezas sobre os rumos da política monetária e cambial argentina. O governo Milei iniciou uma transição de estratégia: após um longo período focado estritamente no forte arrocho fiscal e no controle monetário para conter a inflação, o Banco Central da República Argentina começou a flexibilizar a circulação de moeda no sistema financeiro. Contudo, agentes do mercado temem que essa injeção de liquidez termine por migrar para a compra de divisa estrangeira, pressionando o peso e renovando a escalada inflacionária.
A desvalorização nos títulos públicos em dólar — como os papéis Bonares e Globales — também se refletiu no mercado de ações. O índice S&P Merval da Bolsa de Buenos Aires acumulou fortes perdas no mês, registrando queda acentuada nos valores cotados em dólares. Ações de grandes empresas e instituições bancárias, como YPF, Banco Macro e BBVA, operaram em queda, demonstrando que a cautela macroeconômica sobrepôs-se aos balanços corporativos individuais do período.
Em paralelo, o dólar comercial atacadista permaneceu cotado próximo a 1.500 pesos, mantendo o dólar oficial vendido ao público acima de 1.515 pesos. Diante de um ambiente global com taxas de juros americanas ainda elevadas nos títulos do Tesouro dos EUA e da proximidade de disputas políticas locais, a Casa Rosada enfrenta o desafio de sustentar a estabilidade cambial e reconquistar a confiança do capital privado sem comprometer o frágil ambiente de recuperação da atividade econômica.
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