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Amargo remédio de Milei começa a provocar efeitos colaterais em sua popularidade

Amargo remédio de Milei começa a provocar efeitos colaterais em sua popularidade

​Buenos Aires — O plano de austeridade radical implementado pelo presidente Javier Milei na Argentina passa por um momento crucial de inflexão política e social. Após o entusiasmo inicial dos mercados financeiros e a celebração pelo alívio no ritmo da inflação e pelo retorno do superávit fiscal, o “remédio amargo” aplicado à economia argentina passou a custar caro à imagem do líder libertário. Pesquisas de opinião e indicadores recentes apontam que a erosão no poder de compra e o desemprego começaram a abalar diretamente a aprovação popular de seu governo.

​Com cortes profundos de gastos públicos e o fim de diversos subsídios estatais, o governo Milei conseguiu equilibrar contas vitais e reestruturar reservas cambiais. O custo da faxina fiscal, no entanto, recaiu severamente sobre a rotina da população. O empobrecimento generalizado, a perda real da renda salarial, o fechamento de empresas e a retração no consumo — inclusive no de itens essenciais como carne bovina — mudaram o foco das preocupações cotidianas dos argentinos.

​Se nos primeiros meses de mandato a hiperinflação figurava como o maior pesadelo da sociedade, o cenário atual colocou em primeiro plano questões como o desemprego, a precarização do trabalho e o avanço da pobreza. Com o aumento da informalidade na Grande Buenos Aires e a queda na produção industrial, analistas locais apontam que a tolerância da população à estratégia de “choque” do governo está atingindo seu limite.

​Diante do descontentamento crescente, o gabinete presidencial busca alternativas para mitigar o desgaste. Além de tentar manter a promessa de desburocratização e atração de investimentos estrangeiros para reanimar a atividade econômica, o presidente tem recorrido ao apelo patriótico, reativando a retórica sobre a soberania argentina nas Ilhas Malvinas no cenário internacional.

​Embora o governo insista na tese de que a disciplina fiscal é o único caminho para o crescimento sustentável a longo prazo, os sinais de insatisfação popular começam a acender alertas no ambiente político, lançando incertezas sobre o apoio político de Milei para os próximos anos de gestão.


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