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PROFESSOR Jason Arday desafia estatísticas ao assumir cátedra em Cambridge após alfabetização tardia

PROFESSOR Jason Arday desafia estatísticas ao assumir cátedra em Cambridge após alfabetização tardia

LONDRES – A trajetória de Jason Arday é o tipo de narrativa que desafia a lógica das probabilidades. Diagnosticado na infância com autismo e atraso global do desenvolvimento, Arday viveu os primeiros anos de vida em um mundo de silêncio: ele só começou a falar aos 11 anos e foi alfabetizado apenas aos 18. Hoje, aos 37 anos, ele não apenas rompeu as barreiras da comunicação, mas alcançou o topo da academia mundial ao se tornar o professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge.

​A nomeação de Arday como Professor de Sociologia da Educação marca um momento histórico para a instituição britânica. Ocupando um posto de prestígio em uma das universidades mais antigas do mundo, o sociólogo agora utiliza sua posição para liderar discussões sobre democratização do ensino superior e inclusão de minorias.

​Do silêncio ao topo da academia

​Nascido e criado em Clapham, no sudoeste de Londres, Jason Arday contou com o apoio incansável de sua mãe, que utilizava música e artes para ajudá-lo a desenvolver a linguagem. Mesmo quando especialistas sugeriam que ele precisaria de suporte para o resto da vida, Jason mantinha uma curiosidade latente sobre o mundo.

​Aos 27 anos, ele escreveu uma meta audaciosa na parede do quarto de seus pais: “Um dia, trabalharei em Oxford ou Cambridge”. Na época, ele trabalhava como professor de Educação Física durante o dia e passava as noites estudando sociologia e redigindo artigos acadêmicos por conta própria, enfrentando diversas rejeições antes de conseguir suas primeiras publicações.

​Novidades e impacto atual

​Desde sua posse em março de 2023, Arday não parou de expandir sua influência. Dados recentes e atualizações de sua carreira mostram que ele se tornou uma figura central no Reino Unido:

  • Projetos de Pesquisa em 2024/2025: Atualmente, Arday está envolvido em estudos de larga escala financiados pelo UKRI (Conselho de Pesquisa e Inovação do Reino Unido) e pelo NIHR, focados em como a neurodiversidade e a raça impactam a saúde mental de jovens e o acesso ao ensino superior.
  • Novos Títulos e Parcerias: Recentemente, ele foi nomeado patrono da organização Get Further, que ajuda estudantes de contextos desfavorecidos a obter qualificações essenciais em inglês e matemática. Ele também atua como Professor Visitante na Ohio State University e na Universidade de Glasgow.
  • Voz Ativa contra o Racismo Estrutural: Em suas palestras mais recentes, como a realizada na conferência Bett 2024, Arday defendeu o papel da tecnologia na democratização do ensino e reforçou que o sucesso acadêmico não deve ser determinado pelo local de nascimento ou por diagnósticos precoces.

​Um símbolo de representatividade

​A entrada de Jason Arday em Cambridge é estatisticamente significativa. No Reino Unido, dos mais de 23 mil professores universitários, apenas cerca de 160 são negros.

​”Meu objetivo é inspirar outras pessoas de origens sub-representadas a acreditar que o ensino superior é um lugar para elas”, afirmou o professor em entrevistas recentes. Ele ressalta que, embora sua trajetória seja vista como excepcional, ela deve servir de prova de que, com o suporte adequado e a quebra de barreiras sistêmicas, o potencial humano não conhece limites.

​Hoje, além de suas funções docentes, Arday é Membro Professoral no Jesus College, em Cambridge, onde continua a escrever a história de superação que começou com um giz na mão aos 18 anos e o sonho de mudar o mundo através da educação.

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