Rússia recruta mais de 1,7 mil africanos para front na Ucrânia sob promessas de emprego
A guerra entre Rússia e Ucrânia, que completou quatro anos em fevereiro de 2026, atingiu um novo patamar de internacionalização. Relatórios recentes de inteligência e declarações de autoridades diplomáticas confirmam que o Kremlin intensificou o recrutamento de cidadãos africanos para suprir as baixas em suas fileiras. Segundo o ministro do Exterior da Ucrânia, Andrii Sybiha, mais de 1.780 cidadãos de 36 países africanos estão atualmente combatendo pelo exército russo.
O esquema, que opera frequentemente através da dark web e de agências de recrutamento ilegais, atrai jovens com promessas de empregos civis bem remunerados em áreas como segurança, hotelaria ou construção. No entanto, ao chegarem em território russo, muitos são coagidos a assinar contratos militares com o Ministério da Defesa.
O preço do front e o “estelionato” militar
A oferta financeira é o principal motor para atrair estrangeiros de economias fragilizadas. A Rússia estaria pagando um salário mensal de aproximadamente 2,2 mil dólares (cerca de R$ 11,3 mil), além de bônus de assinatura que podem chegar a 400 mil rublos em missões específicas.
- Países mais afetados: Quênia, Uganda, Gana, Nigéria e África do Sul lideram as estatísticas de recrutados.
- A “falsa” vaga: Relatos indicam que muitos acreditavam que seriam “seguranças” ou fariam “patrulha de retaguarda”, mas acabaram na linha de frente como “carne para canhão”.
- Tratamento descartável: Vídeos divulgados por grupos de investigação mostram recrutas sem treinamento militar básico sendo enviados para áreas de combate intenso, como o Donbas.
Reações diplomáticas e pressão em África
A situação gerou uma crise diplomática entre Moscou e diversas nações africanas. Na última semana de fevereiro de 2026, o governo do Quênia revelou que mais de mil de seus cidadãos foram levados ao conflito sob pretexto de “vagas de emprego”. Em resposta, as autoridades em Nairóbi iniciaram o fechamento de cerca de 600 agências de recrutamento suspeitas.
Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa interveio diretamente em conversas com Vladimir Putin para garantir a repatriação de 17 cidadãos que enviaram pedidos de socorro do front. Em Gana, o ministro Samuel Okudzeto Ablakwa denunciou que seus compatriotas estão sendo “enganados e levados à morte certa”.
Eles não têm treinamento militar, foram apenas atraídos e enganados para serem colocados na linha de frente”, afirmou o chanceler de Gana durante visita a Kiev nesta quinta-feira (27).
A tática russa reflete a dificuldade de Moscou em manter o ritmo de mobilização interna. Enquanto os combates se arrastam para o quinto ano, a dependência de mercenários estrangeiros — agora vindos também da Colômbia (no lado ucraniano) e de diversas nações do Sul Global (no lado russo) — redesenha a geopolítica do conflito.
































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