Mendonça libera acesso da defesa de Lulinha a inquérito sobre fraude no INSS
Em um novo desdobramento jurídico que movimenta os bastidores de Brasília, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (2) que a defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, tenha acesso integral aos autos do inquérito da Polícia Federal que investiga uma rede de fraudes bilionárias no INSS.
A decisão atende a um pedido protocolado pelos advogados do empresário em janeiro. Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, tornou-se um dos focos centrais da investigação após seu nome aparecer em materiais apreendidos pela PF. Mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” — apontado como o principal operador do esquema —, mencionam o repasse de uma suposta “mesada” de R$ 300 mil ao empresário, além do custeio de viagens internacionais.
Cerco judicial e político
A liberação do acesso à defesa ocorre em um momento de pressão máxima. Na última semana de fevereiro, o cenário complicou-se para o filho do presidente em duas frentes:
- Quebra de Sigilo no STF: Revelou-se que o próprio ministro Mendonça já havia autorizado, de forma sigilosa em janeiro, a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha a pedido da PF.
- Tumulto na CPMI: A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS também aprovou a quebra de sigilo do empresário em uma sessão caótica, marcada por trocas de agressões físicas entre parlamentares da base e da oposição.
A Polícia Federal investiga se Lulinha atuou como “sócio oculto” de Antunes em empresas que lucravam com descontos indevidos em folhas de pagamento de aposentados e pensionistas. Até o momento, a corporação mantém cautela, afirmando que as menções ao nome do empresário partiram de terceiros e que o rastreamento financeiro é essencial para confirmar ou descartar sua participação direta.
Reações e próximos passos
A defesa de Fábio Luís nega veementemente qualquer irregularidade e classifica as suspeitas como “fofocas e vilanias” baseadas em dados parciais. O presidente Lula, por sua vez, declarou publicamente que, embora acredite na inocência do filho, ele “pagará o preço” caso qualquer envolvimento seja comprovado, reforçando que a lei deve valer para todos.
No Congresso, a base governista tenta agora anular a votação da CPMI junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, alegando irregularidades na condução dos trabalhos pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG).

































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