Trump ameaça cortar comércio com Espanha após veto ao uso de bases contra o Irã
A tensão diplomática entre Washington e Madri atingiu um ponto de ruptura nesta terça-feira, 3 de março de 2026. O presidente Donald Trump ameaçou publicamente encerrar todas as relações comerciais com a Espanha, após o governo de Pedro Sánchez proibir que aeronaves militares dos Estados Unidos utilizassem as bases aéreas de Rota e Morón para operações ofensivas contra o Irã.
A declaração ocorreu durante um encontro na Casa Branca com o chanceler alemão, Friedrich Merz. Trump foi enfático ao criticar a postura espanhola, classificando a liderança do país como “terrível”.
O estopim da crise
O governo espanhol, sob a gestão do primeiro-ministro Pedro Sánchez, fundamentou sua recusa na defesa da legalidade internacional. Segundo o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, as bases são de soberania espanhola e o acordo bilateral com os EUA prevê o uso apenas em missões que respeitem a Carta das Nações Unidas.
Como a atual ofensiva americana contra Teerã é vista por Madri como uma “intervenção unilateral e perigosa”, o acesso foi bloqueado. Em resposta, o Exército dos EUA já iniciou a retirada de cerca de 15 aeronaves, incluindo reabastecedores KC-135 Stratotanker, deslocando-os para outras localidades.
Retaliação econômica e OTAN
Trump não limitou suas críticas apenas ao episódio das bases. Ele utilizou o momento para pressionar a Espanha sobre os gastos militares na OTAN, exigindo que os países membros elevem seus investimentos para 5% do PIB.
”Eu disse a Scott [Bessent, Secretário do Tesouro] para cortar todas as relações comerciais com a Espanha”, afirmou Trump. “Eles têm um povo excelente, mas não têm uma liderança excelente. Não têm nada de que precisemos.”
O presidente sugeriu ainda que a Suprema Corte dos EUA já validou sua autoridade para impor embargos e tarifas globais (que podem chegar a 15%), sinalizando que a Espanha poderá ser o primeiro alvo dessa nova política protecionista se não recuar.
Contexto regional
Enquanto a Espanha se isola da estratégia americana, outros aliados como o Reino Unido adotaram posturas distintas. O premiê Keir Starmer autorizou o uso de instalações britânicas para ações defensivas contra Teerã, intensificando a pressão sobre os vizinhos europeus.
A situação no Oriente Médio permanece volátil, com o conflito se expandindo para o sul do Líbano e afetando diretamente os mercados globais de energia e fertilizantes.

































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.