Segunda Turma do STF decide referendar prisão de Daniel Vorcaro e aliados do Banco Master
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para esta sexta-feira, 6 de março de 2026, o início do julgamento virtual que decidirá se mantém a prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida, determinada de forma monocrática pelo ministro André Mendonça, atende a desdobramentos da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quarta-feira (4).
O colegiado, composto pelos ministros André Mendonça (relator), Gilmar Mendes, Luiz Fux, Edson Fachin e Dias Toffoli, analisará o referendo da prisão em um ambiente de forte pressão institucional. O caso tomou novos contornos após o ministro Dias Toffoli ter deixado a relatoria do processo no mês passado. A saída ocorreu depois de a Polícia Federal informar que mensagens encontradas no celular de Vorcaro citavam o magistrado, gerando questionamentos sobre sua isenção. Até o momento, não há confirmação se Toffoli participará da votação ou se declarará impedimento.
A “milícia” de Vorcaro e as ameaças
A nova ordem de prisão contra o banqueiro baseia-se em provas extraídas de dispositivos eletrônicos que revelam a existência de uma estrutura apelidada de “A Turma”. Segundo as investigações da PF, Vorcaro comandava um grupo dedicado a monitorar, intimidar e ameaçar adversários, ex-empregados e jornalistas que denunciavam irregularidades no Banco Master.
Em mensagens interceptadas, o empresário teria dado ordens explícitas para agressões físicas, chegando a mencionar o desejo de “quebrar todos os dentes” de um crítico. O ministro André Mendonça justificou a manutenção da custódia afirmando que a liberdade dos envolvidos representa um risco à ordem pública e à integridade física de terceiros.
Transferência e desdobramentos
Nesta quarta-feira, a Justiça Federal em São Paulo manteve a prisão de Vorcaro em audiência de custódia e autorizou sua transferência para um presídio estadual em Guarulhos, atendendo a um pedido da PF, que alegou falta de estrutura para custódia de longa duração em sua superintendência.
Além de Daniel Vorcaro, seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, também foi alvo de mandado de prisão. Outro aliado do banqueiro, identificado pelo codinome “Sicário”, foi internado com suspeita de morte cerebral após uma tentativa de suicídio na cela logo após a detenção.
A defesa de Daniel Vorcaro nega categoricamente todas as acusações. Em nota, os advogados afirmam que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que o esclarecimento dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta e a inexistência de qualquer estrutura de intimidação. O julgamento no plenário virtual do STF deve ser concluído até o final da próxima semana.

































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