De estelionato a milícia privada: a ficha criminal de Luiz Phillipi, o “Sicário”
A trajetória de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido no submundo do crime e nos círculos de influência do banqueiro Daniel Vorcaro como “Sicário”, chegou a um desfecho trágico e controverso nesta semana. Preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, Mourão teve a morte encefálica confirmada após atentar contra a própria vida dentro de uma cela na Superintendência da PF em Belo Horizonte.
O homem, que era apontado como o braço armado e o chefe da inteligência paralela de Vorcaro (dono do Banco Master), mantinha uma rotina que misturava táticas de espionagem com intimidação ostensiva. Segundo as investigações, o “Sicário” recebia pagamentos mensais de até R$ 1 milhão para coordenar uma estrutura dedicada a monitorar, ameaçar e “neutralizar” desafetos do banqueiro, incluindo jornalistas, autoridades e ex-funcionários.
O “Modus Operandi” da milícia privada
Documentos obtidos pela Polícia Federal revelam um nível de violência verbal e planejamento de agressões físicas que chocaram os investigadores. Em mensagens interceptadas, Vorcaro teria dado ordens diretas a Mourão para “moer” e “quebrar todos os dentes” de alvos específicos, simulando assaltos para encobrir as motivações reais.
A função de Mourão ia além da violência física:
- Espionagem e Monitoramento: Utilizava contatos na carreira policial para obter dados sigilosos e monitorar a rotina de adversários.
- Ataques Digitais: Coordenava a derrubada de perfis e conteúdos críticos ao Banco Master em plataformas digitais.
- Logística Financeira: Os pagamentos ao “Sicário” eram operacionalizados por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, que também foi alvo da operação e se entregou às autoridades.
Atualizações e desdobramentos
A morte de Mourão ocorre em um momento crítico da investigação. A Polícia Federal abriu um inquérito interno para apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio, afirmando que toda a ação na carceragem foi registrada por câmeras de segurança, sem pontos cegos.
Enquanto isso, Daniel Vorcaro permanece detido no Centro de Detenção Provisória de Guarulhos. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedidos de liberdade, sustentando que a organização criminosa liderada pelo banqueiro possui um potencial de dano bilionário — estima-se que as fraudes no Banco Master possam ultrapassar os R$ 50 bilhões em prejuízos a clientes e ao sistema financeiro.
A defesa de Vorcaro nega categoricamente qualquer envolvimento com práticas violentas e afirma que o empresário sempre colaborou com a justiça. No entanto, com a morte do seu principal “operador de campo”, a PF busca agora extrair informações dos dispositivos eletrônicos apreendidos para identificar a extensão da rede de influência que o “Sicário” ajudava a manter.

































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