Polícia Federal e MP investigam ex-gestores da Amazonprev por investimentos de R$ 390 milhões sob suspeita de fraude
Uma operação da Polícia Federal (PF), denominada Sine Consensu, revelou nesta sexta-feira (6 de março de 2026) novos detalhes sobre um esquema que coloca em risco as aposentadorias de servidores públicos do Amazonas. Segundo as investigações, ex-diretores da Fundação de Previdência do Estado do Amazonas (Amazonprev) ignoraram alertas técnicos para realizar aplicações de R$ 390 milhões em instituições financeiras de alto risco, recebendo, em contrapartida, supostas vantagens indevidas.
O esquema e os envolvidos
A investigação aponta que, entre junho e setembro de 2024, a cúpula da Amazonprev realizou cinco operações financeiras atípicas em Letras Financeiras de bancos privados. Os principais nomes citados no inquérito e que foram alvos de mandados de busca e apreensão incluem:
- Claudinei Soares: Ex-gestor de recursos e ex-coordenador do Comitê de Investimentos.
- Cláudio Marins de Melo: Diretor de Administração e Finanças.
- André Luis Bentes de Souza: Ex-diretor de Previdência.
- Sávio Loyola e Silva: Empresário da Alfa A Consultoria, suspeito de repassar cerca de R$ 620 mil aos servidores para facilitar os investimentos.
De acordo com a PF, as aplicações foram feitas sem a aprovação formal do Comitê de Investimentos e, em alguns casos, com bancos que sequer possuíam credenciamento junto ao Ministério da Previdência.
Distribuição dos recursos sob suspeita
Os aportes, que agora são alvo de auditoria e podem resultar em perda total para o fundo estadual, foram distribuídos da seguinte forma:
- R$ 50 milhões no Banco Master (investimento feito pouco antes da liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central).
- R$ 250 milhões no C6 Bank (em duas operações de R$ 125 milhões).
- R$ 51,7 milhões no Banco Daycoval.
- R$ 42,2 milhões no BTG Pactual.
A juíza federal Ana Paula Serizawa, que autorizou a operação, destacou que Letras Financeiras não possuem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que expõe o capital dos segurados a uma “insolvência total” caso as instituições não honrem os pagamentos.
Desdobramentos políticos e administrativos
O atual presidente da Amazonprev, Evilázio Nascimento, afirmou em nota que a instituição está colaborando com as autoridades e que os fatos investigados ocorreram em gestões anteriores. Dois servidores de carreira foram afastados de suas funções por determinação judicial por 90 dias.
No Legislativo, o deputado Comandante Dan (PSC) protocolou um Projeto de Lei Complementar para endurecer a fiscalização sobre o fundo. Ele afirma que a Amazonprev já acumula um déficit superior a R$ 750 milhões, figurando em uma lista nacional de oito institutos previdenciários que operam no vermelho devido a investimentos temerários.
As investigações prosseguem para apurar os crimes de gestão temerária, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) também mantém uma representação aberta para bloquear novos investimentos de risco pela fundação.

































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