Carregando agora

Argentinos buscam emprego no agronegócio brasileiro após Milei desregular mercado da erva-mate

Argentinos buscam emprego no agronegócio brasileiro após Milei desregular mercado da erva-mate

​A política de choque econômico implementada pelo presidente Javier Milei na Argentina gerou um reflexo imediato e massivo na fronteira com o Brasil. Após a desregulamentação do setor de erva-mate, que resultou no fim do preço mínimo pago aos produtores, o fluxo migratório de trabalhadores argentinos para o território brasileiro atingiu níveis recordes.

​De acordo com dados da Receita Federal coletados até o início de 2026, o número de CPFs emitidos para argentinos no Brasil saltou para cerca de 40 mil no último ano. Para efeito de comparação, a média anual registrada entre 2016 e 2021 era de apenas 8 mil emissões, o que representa um aumento de 500% no interesse de fixação de residência ou atividade econômica no país.

​O colapso do “Ouro Verde” em Misiones

​O epicentro desse êxodo é a província de Misiones, responsável pela grande maioria da produção de erva-mate da Argentina. A crise foi deflagrada por um decreto que retirou os poderes do Instituto Nacional da Erva-Mate (INYM) de fixar preços de referência.

  • Queda nos Preços: Em termos reais, o valor pago pelo quilo da folha verde despencou. Se no final de 2023 os produtores recebiam cerca de 250 pesos, o valor chegou a regredir para patamares de 180 pesos em períodos de baixa, sob pressão da queda do consumo interno e ausência de subsídios.
  • Impacto no Campo: Pequenos agricultores e trabalhadores temporários, conhecidos como tareferos, viram sua única fonte de renda tornar-se insuficiente para cobrir os custos básicos de vida, agravados pela inflação argentina que ainda tenta estabilização.

​Mão de obra qualificada no Sul do Brasil

​Diferente de ondas migratórias anteriores, o perfil atual é composto por trabalhadores rurais experientes. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o setor de agronegócio tem absorvido essa demanda.

​”Os argentinos que chegam são qualificados, possuem uma educação apurada e conhecem profundamente a rotina do campo”, afirma Domingos Velho Lopes, da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul).

​A migração tem se concentrado especialmente nas colheitas de uva, maçã e agora na própria erva-mate brasileira. No Brasil, o setor de erva-mate mantém uma estrutura de mercado diferente, atraindo os argentinos pela valorização do Real frente ao Peso e pela estabilidade da demanda das indústrias de chimarrão e exportação.

A tendência para os próximos meses é de consolidação desses trabalhadores nas cadeias produtivas do Sul do país, enquanto a Argentina discute no Congresso e na justiça as competências do INYM para tentar conter a crise social no nordeste do país.

Você Pode Ter Perdido

Entrar

Cadastrar

Redefinir senha

Digite o seu nome de usuário ou endereço de e-mail, você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.