O Banco Central da Holanda (De Nederlandsche Bank – DNB) concluiu a movimentação de mais de 78 toneladas de suas reservas de ouro mantidas nos cofres do Federal Reserve, em Nova York, transferindo os ativos para o Banco da Inglaterra, em Londres. A instituição também retirou outras sete toneladas guardadas em Ottawa, no Canadá, em uma estratégia motivada pelo aumento das instabilidades e tensões geopolíticas globais.
O governador da autoridade monetária holandesa, Olaf Sleijpen, explicou que a redistribuição tem o objetivo de reforçar a preparação do país para cenários de crise e garantir maior liquidez das reservas. Londres é reconhecida atualmente como o principal polo global de negociação física do metal precioso, movimentando volumes expressivos no mercado financeiro internacional. Segundo o DNB, ter o metal alocado na capital britânica assegura acesso mais rápido e maior negociabilidade em comparação a ativos armazenados em outro continente.
Para otimizar custos e mitigar riscos logísticos, a operação combinou o transporte físico de 27 toneladas para a Europa e arranjos financeiros no mercado. O restante do volume foi negociado diretamente nas Américas simultaneamente à aquisição de barras equivalentes em Londres, mantendo o total de 612 toneladas de ouro do patrimônio holandês. Com a alteração, a fatia sob custódia em Nova York caiu de 31,3% para 18,5%, enquanto a parcela em Londres subiu para 32,1%.
A decisão reflete um movimento mais amplo entre nações europeias para diversificar a custódia de seus ativos diante do acirramento de atritos transatlânticos. O movimento segue os passos da França, que recentemente concluiu o repatriamento total de seu ouro depositado em solo norte-americano. A busca de bancos centrais pelo metal precioso como ativo de proteção tem impulsionado forte valorização nos mercados globais, fazendo com que o ouro ultrapassasse os títulos públicos dos Estados Unidos em participação nas reservas internacionais de diversos países.
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