Moraes e Vorcaro: ministro nega idas a mansão em Trancoso e desmente proximidade com banqueiro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, manifestou-se oficialmente neste domingo (8) para negar com veemência as informações publicadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. A reportagem sugeria que o magistrado teria frequentado uma luxuosa mansão de R$ 300 milhões alugada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em Trancoso, no litoral sul da Bahia.
Em nota emitida por seu gabinete, Moraes classificou as afirmações como “integralmente falsas” e afirmou que “jamais realizou qualquer viagem particular com Daniel Vorcaro para qualquer destino”. O ministro reiterou que nunca esteve na propriedade citada — um imóvel de 40 mil metros quadrados com 12 suítes e cinco bangalôs — e criticou o que chamou de “tentativas de vincular sua agenda pessoal ou profissional” ao empresário.
Novos desdobramentos e a crise do Banco Master
A polêmica ocorre em um momento crítico para Daniel Vorcaro. Recentemente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e da Master S/A Corretora de Câmbio, após constatar a inviabilidade de recuperação da instituição. Paralelamente, Vorcaro foi alvo de mandado de prisão pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero.
As investigações da PF trouxeram à tona elementos que têm alimentado o embate público:
- Mensagens periciadas: Relatórios da PF indicam a existência de mensagens no celular de Vorcaro que fariam referência a diálogos com o ministro. A defesa de Vorcaro e o próprio STF divergem sobre a autenticidade e o destinatário real dessas comunicações. O tribunal sustenta que os registros encontrados no aparelho do banqueiro pertencem a pastas de outros contatos e não foram direcionados a Moraes.
- A “Turma”: A investigação aponta que Vorcaro coordenava uma estrutura informal de monitoramento e coação para proteger seus negócios, o que incluía acessos indevidos a sistemas da PF, MPF e até da Interpol.
- Ameaças a jornalistas: Em diálogos interceptados, o banqueiro teria manifestado a intenção de agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, autor das revelações recentes, mencionando o desejo de “quebrar todos os dentes” do colunista em um suposto assalto simulado.
Reação política
A repercussão do caso já atinge o Congresso Nacional. A oposição tem utilizado os novos fatos para reforçar pedidos de impeachment contra o ministro, enquanto a CPMI do INSS — que investiga fraudes envolvendo o sistema previdenciário e conexões financeiras — avalia pedir o depoimento formal de Vorcaro, que atualmente se encontra preso em uma unidade de segurança máxima em Brasília.
O STF encerra a nota lamentando a publicação de informações “baseadas em premissas fáticas inexistentes” e reforça que não houve qualquer interferência do magistrado em processos relacionados à liquidação do Banco Master.

































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