CPI do INSS adia Leila Pereira e ouve CEO do C6 sobre fraudes em consignados
BRASÍLIA – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes e descontos indevidos em benefícios do INSS teve sua agenda alterada nesta segunda-feira (9). O aguardado depoimento de Leila Pereira, empresária ligada à Crefisa e presidente do Palmeiras, foi adiado após um pedido de remarcação da defesa. Com a ausência, o colegiado concentrou seus trabalhos na oitiva de Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank, para prestar esclarecimentos sobre irregularidades em empréstimos consignados.
O foco da comissão sobre as instituições financeiras intensificou-se após o INSS identificar cerca de 324 mil contratos com cobranças associadas a “clubes de benefícios”, prática considerada irregular e que lesa aposentados e pensionistas. Marcelo Kalim foi questionado sobre falhas na governança e o lucro obtido sobre a margem consignável de segurados, além das medidas de proteção de dados que teriam falhado, permitindo a exposição de informações de beneficiários.
Prorrogação no horizonte
Paralelamente aos depoimentos, a cúpula da CPI corre contra o tempo. O prazo oficial para o encerramento dos trabalhos é o dia 28 de março, mas o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já articula a prorrogação das atividades por mais 60 dias.
A justificativa para o prolongamento é a necessidade de analisar documentos sigilosos que ainda não chegaram ao colegiado, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal de figuras centrais da investigação. Viana sinalizou que, caso o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não autorize a continuidade, o grupo pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a conclusão das investigações.
Crefisa na mira
O depoimento de Leila Pereira é considerado peça-chave para os parlamentares. A Crefisa é alvo de denúncias de “venda casada” e juros abusivos. Além disso, o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) da financeira com o INSS não foi renovado no último ano devido ao alto volume de reclamações registradas por beneficiários.
A nova data para a oitiva da empresária ainda deve ser definida pela secretaria da comissão, mas a expectativa é que ocorra ainda na primeira quinzena de março, caso a prorrogação seja confirmada. Além do setor bancário, a CPI também deve ouvir representantes da Dataprev nos próximos dias para tratar do vazamento de senhas estratégicas e falhas na plataforma “Meu INSS”.

































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