Daniel Vorcaro antecipou voo para Dubai após consultar Alexandre de Moraes sobre risco de prisão
Documentos obtidos por investigações da Polícia Federal apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro antecipou sua viagem ao exterior logo após ter perguntado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o país. Na tentativa de embarque realizada em 17 de novembro, Vorcaro acabou preso no aeroporto antes que pudesse concretizar o plano de voo.
A reviravolta na cronologia dos fatos veio à tona com o avanço da apuração da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura possíveis irregularidades envolvendo o antigo Banco Master.
| Linha do tempo | Acontecimento |
|---|---|
| 15 de novembro | Vorcaro consulta o ministro Alexandre de Moraes em tom de apreensão sobre o risco de ordens judiciais ou prisões. |
| 17 de novembro | O ex-banqueiro altera seu plano de voo e tenta embarcar com destino a Malta e Dubai, mas é preso pela PF. |
| 18 de novembro | Deflagração oficial da Operação Compliance Zero e liquidação do Banco Master pelo Banco Central. |
Cronologia das mensagens e a mudança de itinerário
Segundo os relatórios e registros telemáticos levantados pelos investigadores, a viagem de Vorcaro estava inicialmente planejada para a noite do dia 18 de novembro. O roteiro original previa etapas em países europeus antes de seguir para os Emirados Árabes Unidos.
Contudo, na noite de 15 de novembro, o empresário enviou mensagens diretas ao ministro indagando sobre os rumores de ações policiais iminentes. Em uma das mensagens trocadas, o investigado questionou expressamente se “segunda já deveria estar fora” do Brasil. Logo em seguida, os preparativos para o voo foram adiantados para o dia 17.
Ao tentar deixar o país em um avião executivo a partir do Aeroporto Internacional de São Paulo, Vorcaro foi contido pelos agentes federais. A PF considerou a tentativa de embarque como indício de plano de fuga.
O que dizem os envolvidos e o andamento do caso
As mensagens trocadas no celular de Vorcaro eram encaminhadas por meio de capturas de tela do bloco de notas em modo de visualização única, razão pela qual o material apreendido recuperou predominantemente os textos enviados pelo empresário, sem explicitar eventuais respostas do magistrado.
- Defesa de Daniel Vorcaro: Sustenta que a viagem a Dubai tinha caráter estritamente profissional e visava concluir tratativas comerciais e negociações de ativos para a instituição financeira, contestando a tese de fuga do país.
- Gabinete do ministro Alexandre de Moraes e STF: Em manifestações anteriores sobre a análise telemática do caso, interlocutores e notas atribuídas à defesa do ministro indicaram ausência de qualquer atuação no tribunal relacionada às causas privadas do empresário ou interferência em procedimentos da PF.
Os documentos e trocas de mensagens passam agora por análise na Suprema Corte, sob a relatoria do ministro André Mendonça, para verificar o alcance dos contatos mantidos entre os investigados e autoridades públicas.
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