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PF investiga perfis do TikTok por trend que incita violência contra mulheres

PF investiga perfis do TikTok por trend que incita violência contra mulheres

​A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito oficial para investigar a propagação de uma “trend” (tendência) no TikTok que faz apologia à violência física contra mulheres. O movimento, que ganhou força nos últimos dias, consiste em vídeos onde homens simulam agressões — como socos, chutes e golpes de faca — sob a legenda “treinando para caso ela diga não”, referindo-se a possíveis rejeições em pedidos de namoro ou casamento.

​A investigação foi impulsionada por uma notícia-crime apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU), por meio da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia. Segundo o órgão, o conteúdo configura incitação a crimes graves, como feminicídio, lesão corporal e violência psicológica.

Últimas atualizações e medidas governamentais

​Além da frente policial, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) também entrou no caso. Nesta terça-feira (10), a Secretaria de Direitos Digitais do ministério notificou o TikTok Brasil, estabelecendo um prazo de cinco dias para que a plataforma apresente explicações detalhadas sobre suas medidas de moderação. O governo quer entender como os sistemas automatizados e humanos da rede social falharam ao permitir que conteúdos misóginos com alto potencial de viralização permanecessem ativos.

​Em resposta preliminar, o TikTok informou que os vídeos violam suas Diretrizes da Comunidade e que já iniciou a remoção proativa dos conteúdos identificados. A plataforma afirmou ainda que está colaborando com as autoridades e reforçando a vigilância para evitar que novos vídeos do gênero circulem.

Contexto e riscos

​Especialistas e autoridades alertam que esse tipo de conteúdo alimenta grupos da chamada “machosfera” e comunidades que pregam o ódio de gênero. No Brasil, a Lei 13.642/2018 atribui especificamente à Polícia Federal a competência para investigar crimes de misoginia na internet, dado o caráter nacional e muitas vezes transnacional desses movimentos.

​Os responsáveis pela criação e compartilhamento desses vídeos podem ser punidos com penas de detenção, além de multas. A Polícia Federal já solicitou a preservação de dados dos perfis identificados para rastrear a origem das publicações e identificar se há uma coordenação centralizada por trás da disseminação da tendência.

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