Mulheres do MST ocupam 14 latifúndios em jornada nacional contra violência e pela reforma agrária
Em uma mobilização que atinge todas as regiões do país, cerca de 14 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizam, entre os dias 8 e 12 de março de 2026, a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra. Com o lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, o movimento já registrou a ocupação de 14 áreas em 13 estados brasileiros, denunciando a paralisia das políticas de redistribuição de terras e o aumento da violência no campo.
As ações miram prioritariamente latifúndios com históricos de irregularidades. Em São Paulo, mulheres ocuparam a Fazenda Santo Antônio, em Presidente Epitácio, denunciando a “Lei da Grilagem” (Lei 17.557/2022) e cobrando a destinação de terras públicas para o assentamento de famílias. No Rio Grande do Sul, cerca de 500 mulheres ocuparam uma área da Fepagro em São Gabriel, reivindicando o reassentamento de comunidades atingidas pelas enchentes de 2024.
Avanços e enfrentamentos
A jornada deste ano combina a luta pela terra com pautas ambientais e de direitos humanos. Em Minas Gerais, após o trancamento de trilhos da mineradora Samarco, as camponesas conquistaram o compromisso de reflorestamento de 2 mil hectares na Bacia do Rio Doce. Já no Tocantins, a ocupação da Fazenda Santo Hilário resultou em prazos estabelecidos pelo Incra para a criação de um novo assentamento.
”A jornada expressa a força das mulheres organizadas contra os crimes do latifúndio e a escalada da violência de gênero, legitimada pelo avanço do discurso conservador”, afirmou Lizandra Guedes, da coordenação nacional do MST. O movimento destaca que, apesar de estar no terceiro mandato do governo Lula, os avanços na reforma agrária são considerados “insuficientes” diante de um passivo de mais de 100 mil famílias acampadas.
Pauta ampla e resistência
Além das ocupações, as mulheres sem terra levam às ruas reivindicações como o fim da escala de trabalho 6×1, o combate ao feminicídio e a valorização da Política Nacional do Cuidado. Em Goiás, uma usina com denúncias de trabalho análogo à escravidão foi um dos alvos das mobilizações, reforçando o caráter de denúncia contra violações de direitos fundamentais.
As atividades seguem até quinta-feira (12), com marchas, seminários sobre agroecologia e novas ações de ocupação previstas para pressionar o Governo Federal e os governos estaduais por uma resposta efetiva à crise agrária e climática.

































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