PL e PSD podem romper e Sergio Moro aparece como principal beneficiário no Paraná
Bastidores apontam que racha entre a legenda de Bolsonaro e o grupo de Ratinho Júnior pode isolar o PSD e abrir caminho para a pré-candidatura do senador ao governo estadual.
A movimentação nas placas tectônicas da política paranaense atingiu um novo nível de tensão nesta semana. O Partido Liberal (PL) ameaça romper formalmente a aliança com o PSD, partido do atual governador Ratinho Júnior, em um movimento que pode reconfigurar totalmente o tabuleiro eleitoral de 2026. O maior beneficiado por esse cenário de instabilidade é o senador Sergio Moro (União Brasil), que tem consolidado sua liderança em recentes pesquisas de intenção de voto.
O racha e a pressão do PL
O descontentamento do PL tem raízes nacionais e locais. De um lado, a ala bolsonarista pressiona por uma postura mais incisiva do PSD contra o governo federal, algo que Ratinho Júnior — focado em sua própria viabilidade como nome para o Palácio do Planalto em 2026 — tem evitado para manter a governabilidade.
No Paraná, a insatisfação do PL gira em torno da sucessão estadual. Enquanto o PSD tenta viabilizar nomes como o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, ou o deputado Alexandre Curi, o PL exige protagonismo na chapa. A ameaça de desembarque do governo estadual coloca a legenda de Jair Bolsonaro em uma rota de colisão direta com o grupo palaciano.
Sergio Moro: de alvo a aliado potencial?
A ironia política do momento é o papel de Sergio Moro. Embora o PL tenha sido um dos autores da ação que tentou cassar o mandato do ex-juiz no ano passado, o cenário atual é de “degelo”. Informações de bastidores indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem mantido diálogos com Moro, visando uma possível união contra o avanço do PSD e da esquerda no estado.
Moro, que nega intenções de mudar para o PL e afirma que se manterá no União Brasil, aparece como o nome a ser batido. Segundo levantamentos recentes do Instituto Paraná Pesquisas realizados em março de 2026, o senador lidera todos os cenários para o governo do Paraná, atingindo até 47% das intenções de voto. Um rompimento oficial entre PL e PSD deixaria o grupo de Ratinho Júnior sem o tempo de TV e a capilaridade da direita bolsonarista, “empurrando” esse eleitorado naturalmente para os braços de Moro.
O que está em jogo
Para Ratinho Júnior, a manutenção da aliança com o PL é crucial para garantir uma sucessão tranquila e um palanque sólido para sua candidatura presidencial. Para o PL, o racha é uma forma de demonstrar força e garantir que o partido não seja apenas um “coadjuvante de luxo” no Paraná.
No meio desse fogo cruzado, Sergio Moro adota uma postura de cautela pública, mas fortalece sua pré-candidatura ao governo estadual, classificada por aliados como “irreversível”. Se o divórcio entre PL e PSD for assinado, o Paraná poderá ver uma das disputas mais polarizadas da sua história, com o ex-juiz da Lava Jato ocupando o vácuo deixado pela direita tradicional.

































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