TRF-1 mantém instalação de pórticos de pedágio no Paraná e deputados preparam novas ações para o Lote 6
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) negou, nesta quinta-feira (12), o pedido de liminar protocolado por um grupo de 24 deputados estaduais do Paraná que buscava suspender a instalação dos pórticos do sistema free flow (pedágio eletrônico sem cancelas). A decisão mantém o cronograma das concessionárias, mas a frente parlamentar contrária ao modelo já anunciou que irá recorrer e prepara uma nova ofensiva jurídica focada agora no Lote 6 das concessões rodoviárias.
A decisão judicial e os argumentos em conflito
O desembargador responsável pelo caso fundamentou a negativa alegando que a instalação física das estruturas metálicas faz parte da etapa preparatória necessária para a implementação do sistema e não representa, por si só, uma ilegalidade imediata. O magistrado destacou que não há, no momento, autorização para a cobrança das tarifas, o que afastaria a urgência alegada pelos parlamentares.
Do outro lado, o grupo liderado por deputados como Luiz Cláudio Romanelli (PSD), Evandro Araújo (PSD) e Tercílio Turini (MDB) sustenta que a instalação ocorre sem a anuência prévia da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Segundo os parlamentares, a agência teria informado formalmente que não autorizou a operação dos pórticos no Lote 4, que abrange regiões do Norte e Noroeste do estado.
Críticas ao modelo e riscos ao usuário
A principal preocupação dos deputados, detalhada na Ação Popular, é a forma de cobrança. Eles argumentam que o modelo está sendo desvirtuado: em vez de tarifar proporcionalmente ao quilômetro rodado — como prevê a Lei Federal nº 14.157/2021 —, o sistema estaria operando como um “pedágio tradicional disfarçado”, cobrando valores integrais mesmo de quem percorre trechos curtos.
Além disso, foram relatados incidentes operacionais recentes. No Oeste do estado, motoristas já enfrentaram cobranças indevidas, como o caso de uma caminhonete que foi tarifada como se fosse um caminhão de grande porte. Tais falhas alimentam o argumento de que o sistema carece de maturidade regulatória e técnica.
Próximos passos: Lote 6 e recursos
Com a negativa para os Lotes 4 e 5, o foco da disputa se desloca para o Lote 6. Os deputados paranaenses confirmaram que entrarão com uma nova ação nos mesmos moldes para tentar barrar a instalação de pórticos nessa região. Eles também pretendem levar o caso ao plenário do TRF-1 através de um agravo de instrumento, buscando reverter a decisão monocrática.
Enquanto a batalha jurídica prossegue, as concessionárias continuam os testes operacionais. A orientação para os motoristas que passarem pelos pórticos onde a cobrança já foi autorizada (como na BR-163) é manter o pagamento em dia via TAG ou canais digitais para evitar multas por evasão de pedágio, que podem chegar a R$ 195,23 e gerar pontos na CNH.

































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