Greve na Brose chega ao 36º dia com proposta de vaquinha nacional e impasse jurídico
SÃO JOSÉ DOS PINHAIS – A mobilização dos trabalhadores da Brose do Brasil, em São José dos Pinhais, completa nesta sexta-feira 36 dias de paralisação sem que haja um horizonte claro de negociação por parte da multinacional alemã. Diante da persistência da empresa em não apresentar uma contraproposta satisfatória e da suspensão dos pagamentos aos grevistas, o vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), Nelson Silva de Souza, conhecido como Nelsão da Força, sugeriu a criação de uma rede de solidariedade nacional, incluindo uma “vaquinha”, para garantir o sustento das famílias dos metalúrgicos.
A greve, iniciada no dia 28 de janeiro, é motivada pela reivindicação de reajuste salarial, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de pelo menos R$ 15 mil, vale-mercado digno e plano de carreira. Atualmente, os operários denunciam que recebem salários em torno de R$ 2.500,00, valor significativamente inferior ao praticado por outras empresas do setor de autopeças na região.
Escalada de tensão e repressão
O movimento tem sido marcado por episódios de violência. No dia 4 de fevereiro, uma intervenção da Polícia Militar resultou na detenção de Nelsão da Força e no uso de agentes químicos contra os manifestantes. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram a truculência policial, o que gerou notas de repúdio de centrais sindicais e políticos, como o deputado Arilson Chiorato e o vereador Angelo Vanhoni.
Recentemente, novos relatos apontam que a PM tem atuado de forma ostensiva para garantir a entrada de trabalhadores temporários, contratados pela Brose para substituir os grevistas — prática que o sindicato classifica como “antissindical e ilegal”.
Fase decisiva nas instituições
Sem diálogo direto com a diretoria da Brose, o SMC buscou o suporte das instituições. Na última semana, o sindicato solicitou audiências na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) e junto ao Governo do Estado para discutir o impasse e a conduta da Polícia Militar. Além disso, o caso foi levado à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-PR) para denunciar a contratação irregular de “fura-greves”.
O presidente do SMC, Sérgio Butka, reforçou que a unidade dos trabalhadores permanece inabalável. “A empresa prefere gastar com segurança e repressão do que sentar à mesa para negociar o que é justo. Mas o apoio que estamos recebendo de sindicatos de todo o país mostra que essa luta não é apenas local”, afirmou.
Próximos passos
Com o movimento entrando em sua segunda quinzena de março, os trabalhadores aguardam o julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Enquanto a decisão judicial não sai, a proposta de Nelsão da Força de criar um fundo de amparo ganha força entre as federações metalúrgicas, visando manter a resistência no chão de fábrica contra o que o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto descreveu como um “comportamento intransigente e repressivo” da multinacional.

































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