Contrato da Celepar sob suspeita: programa Olho Vivo de Ratinho Jr. pode saltar para R$ 500 milhões
O Governo do Paraná está no centro de uma nova controvérsia envolvendo a gestão de dados e segurança pública. O Líder da Oposição na Assembleia Legislativa (Alep), deputado Arilson Chiorato (PT), protocolou nesta semana um pedido oficial de informações exigindo esclarecimentos sobre o programa de videomonitoramento “Olho Vivo”. Segundo a denúncia, um contrato firmado via Celepar, inicialmente estimado em R$ 50 milhões, pode atingir o montante de quase R$ 500 milhões após a inclusão de aditivos.
O parlamentar aponta uma suposta manobra técnica e jurídica na execução do projeto. De acordo com Chiorato, o contrato original teria sido estabelecido com a gigante de tecnologia Google, sob a justificativa de fornecimento de softwares administrativos e ferramentas gerenciais. No entanto, o objeto do contrato teria sido ampliado para permitir a instalação de câmeras de vigilância nos municípios paranaenses, o que elevou exponencialmente os custos previstos.
A polêmica da Paladium Corp
Um dos pontos centrais da denúncia é a participação da empresa Paladium Corp. Segundo o deputado, embora o contrato oficial cite o Google, a execução prática estaria sendo conduzida por esta empresa, que teria sido aberta no Brasil apenas em 2024. A oposição questiona a transparência do processo e a existência de uma licitação adequada para essa triangulação de serviços.
O que diz o Governo e os desdobramentos
Em resposta às críticas no plenário, a base governista, representada pelo líder do Governo na Alep, Hussein Bakri, afirmou que o programa “Olho Vivo” ainda está em fase inicial e que, até o momento, nenhum repasse financeiro teria sido realizado. Segundo o Executivo, a iniciativa funcionará por meio de convênios com as prefeituras interessadas.
Contudo, a pressão sobre a gestão tecnológica do estado aumentou. Recentemente, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) também cobrou explicações sobre um contrato de R$ 438,7 milhões entre a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e a Celepar, buscando entender se há sobreposição de serviços ou irregularidades no armazenamento de dados sensíveis.
O pedido de informações de Arilson Chiorato foca em quatro pilares fundamentais:
- Identificação clara da empresa contratada e o papel exato da Paladium Corp;
- Comprovação de processo licitatório ou justificativa legal para a dispensa;
- Valor total atualizado do programa após os aditivos;
- Protocolos de segurança e privacidade das imagens capturadas dos cidadãos paranaenses.
O caso ganha contornos ainda mais complexos devido ao processo de desestatização da Celepar, que enfrenta resistência judicial e política na Alep sob alegações de risco à soberania digital do estado.

































Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.