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Guto Silva e programa Olho Vivo sob suspeita por instalação de câmeras antes de licitação de R$ 581 milhões

Guto Silva e programa Olho Vivo sob suspeita por instalação de câmeras antes de licitação de R$ 581 milhões

​A implementação do programa de monitoramento urbano Olho Vivo, uma das principais vitrines tecnológicas do Governo do Paraná, tornou-se o centro de uma crise política e jurídica que atinge diretamente o secretário das Cidades, Guto Silva. Documentos e reportagens publicadas neste domingo (15) pela Gazeta do Paraná e pelo O Diário de Maringá revelam indícios de que o projeto, orçado em quase R$ 581 milhões, pode ter tido sua ordem de execução invertida, com a instalação de equipamentos ocorrendo antes mesmo da finalização do processo licitatório.

​O cronograma invertido e as “realidades irreversíveis”

​O ponto central da investigação jornalística aponta para uma falha grave nos ritos da administração pública. De acordo com os documentos revelados, o governo teria realizado reuniões com fornecedores de tecnologia e autorizado a montagem de infraestruturas em diversos municípios antes da publicação do edital milionário.

​Em Maringá, o questionamento é direto: quem autorizou o uso de espaços públicos e a instalação de câmeras inteligentes sem um contrato definitivo? Especialistas em gestão pública ouvidos pelas reportagens explicam que esse procedimento cria uma “realidade irreversível”, onde a empresa que já instalou os equipamentos leva uma vantagem competitiva desleal, ferindo a Lei de Licitações (14.133).

​Denúncias de propina e falta de transparência

​O cenário se agravou com declarações recentes de jornalistas e parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Existem suspeitas, ainda em fase de apuração por órgãos de controle, de que o contrato poderia envolver o pagamento de propinas na ordem de 20% do valor total — o que representaria um desvio de aproximadamente R$ 100 milhões.

​Além disso, uma empresa sediada em Pato Branco, com ligações com o entorno político de Guto Silva, foi identificada como participante ativa do sistema, embora não constem registros claros de seus contratos no Portal da Transparência vinculados diretamente ao programa Olho Vivo.

​A defesa do governo

​Em resposta aos questionamentos levantados na Alep, a base governista, por meio do líder Hussein Bakri, afirmou que o programa está em fase inicial e que, até o momento, nenhum repasse financeiro foi efetuado. O governo defende que o Olho Vivo é uma ferramenta essencial de segurança pública, já tendo auxiliado na recuperação de veículos roubados e na identificação de criminosos através de inteligência artificial.

​Impacto político e próximos passos

​Para Guto Silva, que é pré-candidato ao Governo do Paraná em 2026, a polêmica surge em um momento delicado. O que era para ser um trunfo eleitoral focado em “cidades inteligentes” e segurança agora exige explicações detalhadas sobre:

  • A base legal para a instalação antecipada de equipamentos;
  • O paradeiro da ata de registro de preços, que críticos alegam estar sendo mantida sob sigilo;
  • A relação com fornecedores específicos antes da concorrência pública.

​O Diário de Maringá prometeu a publicação de novos ofícios e provas nos próximos dias, o que deve aumentar a pressão para que o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) aprofundem as investigações sobre o uso do dinheiro do contribuinte paranaense.

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