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Super-ricos brasileiros e escassez de oferta disparam preços em Cascais

Super-ricos brasileiros e escassez de oferta disparam preços em Cascais

O avanço de investidores e famílias de alto poder aquisitivo vindas do Brasil está aprofundando a crise imobiliária em Portugal, com especial impacto na região de Cascais. Entre março de 2025 e janeiro de 2026, o valor do metro quadrado na vila subiu mais de 10%, saltando de 6.570 euros para 7.309 euros, consolidando a área como um dos enclaves mais exclusivos — e caros — da Europa.

​Pressão externa e o fim dos incentivos

​Embora o governo português tenha extinguido a modalidade de investimento imobiliário para os “Vistos Gold” e alterado o regime fiscal para Residentes Não Habituais (RNH), o interesse dos super-ricos brasileiros não arrefeceu. Em 2026, o mercado observa uma mudança de perfil: saem os investidores especulativos e entram as famílias de alta renda que buscam residência efetiva, atraídas pela segurança e pela facilitação de vistos para cidadãos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa).

​Especialistas do setor apontam que essa demanda qualificada, concentrada em imóveis de luxo, gera um efeito cascata. Com a falta de novos projetos para a classe média, a pressão nos preços das zonas prime acaba por inflacionar também as áreas periféricas, como Alcabideche e São Domingos de Rana, onde os valores já apresentam crescimentos anuais superiores a 14%.

​O paradoxo do mercado em 2026

​Enquanto o segmento de luxo em Cascais e Lisboa vive um “boom” histórico, a população local e os imigrantes de classe trabalhadora enfrentam um cenário de exclusão. Em março de 2026, dados do mercado indicam que:

  • Escassez de oferta: Portugal precisaria construir cerca de 180 mil novas casas para equilibrar a demanda atual, mas o ritmo de construção permanece abaixo das 30 mil unidades anuais.
  • Custo de vida: Em Lisboa e arredores, o valor do aluguel já consome, em média, mais de 50% do salário médio nacional, empurrando trabalhadores para soluções habitacionais precárias.
  • Avaliação bancária: O valor médio do metro quadrado para fins de financiamento superou o recorde de 2.100 euros em nível nacional neste início de ano, dificultando o acesso ao crédito para os mais jovens.

​Tendências

​Para o restante de 2026, a previsão é de que os preços continuem em trajetória ascendente, embora em ritmo mais moderado devido à estabilização das taxas de juro. O setor imobiliário português mantém-se resiliente, com o capital internacional — liderado por brasileiros, norte-americanos e europeus — representando mais de 60% do volume total transacionado no país.

📸 Divulgação/The Agency

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