Copom reduz Selic para 14,75% e Brasil mantém 2º maior juro real do mundo

Em uma decisão que marca o fim de um hiato de quase dois anos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, agora sob a gestão de Gabriel Galípolo, anunciou nesta quarta-feira (18/3) a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano. Apesar do corte de 0,25 ponto percentual, o Brasil continua ostentando uma das taxas mais elevadas do planeta, ocupando a segunda posição no ranking global de juros reais.

​O movimento era amplamente aguardado por analistas, mas a magnitude do corte foi influenciada pelo cenário internacional turbulento. O acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã no início deste mês elevou o preço do barril de petróleo para patamares superiores a US$ 100, gerando novos receios inflacionários. Diante desse quadro, o Banco Central optou por uma postura cautelosa, reduzindo o ritmo que parte do mercado esperava (de 0,50 ponto) para garantir a convergência da inflação à meta.

​O peso do juro real

​Mesmo com o recuo na taxa nominal, o “juro real” brasileiro — que desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses — subiu de 9,23% em janeiro para 9,51% em março, segundo levantamento da consultoria MoneYou e da Lev Intelligence. Esse aumento ocorre porque as expectativas de inflação para 2026 também foram revisadas para cima, chegando a 4,1% no último Boletim Focus.

​No ranking mundial, o Brasil só fica atrás da Turquia, que lidera com juros reais de 10,38%. Outras economias emergentes como Rússia (9,41%), Argentina (9,41%) e México (5,39%) aparecem logo abaixo, mas com taxas significativamente menores que as praticadas em território brasileiro.

​Contexto e próximos passos

​A taxa Selic estava estacionada em 15% desde junho de 2025, o maior patamar em quase duas décadas. O comunicado oficial do Copom destacou que o ambiente externo tornou-se “mais incerto” devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio, o que exige “serenidade e moderação” na condução da política monetária.

​Economistas apontam que, embora o ciclo de queda tenha começado, o caminho para juros de um dígito ainda parece distante. A projeção do mercado para o fechamento de 2026 foi ajustada de 12,13% para 12,25%, refletindo o temor de que a alta das commodities e a resiliência do mercado de trabalho doméstico limitem o espaço para cortes mais agressivos nas próximas reuniões de abril e junho.

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