Haddad articula vice do agronegócio para romper hegemonia de Tarcísio no interior de SP

Com o cenário eleitoral de 2026 já em ebulição, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) oficializou sua pré-candidatura ao Governo de São Paulo com uma estratégia clara: reduzir a rejeição histórica do petismo no interior paulista. Para isso, o partido busca um nome de peso ligado ao agronegócio para compor a chapa como vice, tentando repetir a “fórmula Alckmin” que deu vitória a Lula no plano federal.

​O desafio dos números: A muralha do interior

​A movimentação é uma resposta direta ao desempenho de 2022. Naquela eleição, embora Haddad tenha vencido na capital com 54,41% dos votos, ele foi amplamente superado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas cidades do interior e litoral.

  • Tarcísio: Venceu em 566 municípios.
  • Haddad: Venceu em apenas 79 municípios.
  • Votação no Interior (2022): Tarcísio somou cerca de 7,9 milhões de votos, contra 4,7 milhões de Haddad — uma diferença de 3,2 milhões de votos que selou a derrota petista.

​Os nomes no radar

​Fontes próximas ao diretório estadual do PT indicam que a busca por um vice foca em perfis que transitem bem entre empresários e produtores rurais.

  1. Paulo Skaf: O ex-presidente da Fiesp surge como uma opção para atrair o setor produtivo e industrial do interior.
  2. Simone Tebet: Atual ministra do Planejamento, Tebet é vista como o “sonho de consumo” da chapa por sua forte ligação com o setor agropecuário e o eleitorado de centro, embora ela também seja cotada para o Senado.
  3. Marina Silva: Apesar de ser um nome forte, enfrenta resistência em setores mais conservadores do agro, o que reforça a necessidade de um vice de perfil mais técnico ou empresarial.

​Cenário atual e o fator “Fazenda”

​Ao deixar o Ministério da Fazenda em março de 2026 para se dedicar à campanha, Haddad aposta no balanço de sua gestão econômica para convencer o eleitorado paulista. Em contrapartida, Tarcísio de Freitas aparece como franco favorito à reeleição em pesquisas recentes (como a do Datafolha de março de 2026), mantendo uma vantagem confortável em simulações de primeiro e segundo turnos.

​”Eu não disputo eleição para barganhar. Eu disputo para ganhar”, afirmou Haddad durante o anúncio de sua saída do ministério.

​A indicação de um vice do agro não é apenas um aceno eleitoral, mas uma tentativa de sobrevivência política em um estado onde o setor responde por uma fatia crucial do PIB e da opinião pública.

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