Setor privado e governo buscam saída para crise logística e alta de custos causada pela guerra

A escalada dos conflitos no Oriente Médio, intensificada pelos recentes ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, acendeu um alerta vermelho na economia brasileira. Diante da instabilidade no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundial — e da consequente disparada nos preços dos combustíveis, o setor privado brasileiro intensificou a cobrança por medidas emergenciais do governo federal para evitar um colapso logístico e o repasse excessivo de custos ao consumidor.

​O agronegócio e o setor aéreo lideram o coro por socorro. Com o petróleo Brent em patamares críticos, o custo do frete marítimo e rodoviário disparou, tornando as exportações menos competitivas e encarecendo a importação de insumos vitais, como fertilizantes. Em resposta, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) pleiteiam a suspensão imediata de tributos como o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), além da criação de linhas de crédito emergenciais para ampliar o capital de giro das empresas.

Impacto no céu e na terra

​No setor aéreo, a preocupação é com a viabilidade das operações. O querosene de aviação (QAV) sofre pressão direta da crise, o que já projeta aumentos entre 5% e 10% nas passagens domésticas. Para conter essa alta, o Ministério de Portos e Aeroportos submeteu à pasta da Fazenda uma proposta que inclui a redução de PIS e Cofins sobre o QAV, a zeragem da alíquota de IOF para as companhias e a desoneração do IR sobre o leasing de aeronaves.

​A equipe econômica do ministro Fernando Haddad avalia as demandas com cautela. Embora haja reconhecimento da gravidade, as medidas podem custar até R$ 30 bilhões aos cofres públicos até o fim do ano. Para compensar essa renúncia, o governo estuda elevar tributos sobre a exportação de combustíveis fósseis, aproveitando que o Brasil é um dos maiores exportadores de petróleo bruto do mundo.

O cenário para 2026

​As novidades de março de 2026 indicam que a “taxa de guerra” veio para ficar no curto prazo. No campo, o impacto logístico já é sentido no escoamento da safra 2024/2025. O governo anunciou investimentos de R$ 4,5 bilhões para melhorar o escoamento, mas o setor produtivo alerta que o problema agora é de fluxo financeiro e custos operacionais externos, que fogem ao controle da infraestrutura física.

​Com a inflação logística pressionando o bolso do brasileiro, o sucesso das medidas dependerá da velocidade com que o Planalto conseguirá equilibrar o auxílio às empresas com a responsabilidade fiscal, em um cenário global onde a incerteza é a única constante.

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