O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou formalmente o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, pelo assassinato de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O caso, ocorrido em fevereiro de 2024 no bairro do Brás, ganhou novos desdobramentos nesta semana após a divulgação de mensagens que revelam um cenário de abusos psicológicos, financeiros e sexuais.
O “Macho Alfa Provedor” e as exigências sexuais
As investigações da Polícia Civil e do MP-SP trouxeram à tona diálogos que detalham o comportamento controlador do oficial. Em uma das mensagens enviadas à esposa, Geraldo Neto afirmava que, por ser o “provedor” e contribuir com o dinheiro da casa, Gisele deveria retribuir com dedicação e sexo.
”Não tem dinheiro, investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo, mas nem isso você faz”, escreveu o tenente-coronel.
Em resposta, Gisele foi enfática ao rejeitar a submissão imposta pelo marido: “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”. Poucos dias após essa discussão, a soldado foi encontrada morta com um tiro na cabeça.
Fraude processual e simulação de suicídio
A defesa do tenente-coronel sustenta a tese de suicídio, alegando que ele estava no banho no momento do disparo. No entanto, a perícia e os laudos da Polícia Científica apontam contradições severas:
- Manipulação da cena: Há indícios de que o oficial posicionou a arma na mão da vítima para forjar o suicídio.
- Ausência de vestígios: A mão de Gisele que segurava o revólver não apresentava manchas de sangue, o que é atípico para a posição em que foi encontrada.
- Lesões corporais: Exames necroscópicos identificaram marcas de pressão de dedos e unhas no pescoço e no rosto da soldado, sugerindo luta corporal antes da morte.
- Limpeza do local: Câmeras de segurança registraram a entrada de três mulheres (policiais à paisana) no apartamento antes da chegada da perícia técnica, levantando suspeitas de limpeza deliberada da cena do crime.
Próximos passos e justiça comum
Geraldo Neto foi preso preventivamente na última quarta-feira (18) e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes. Embora ele seja um oficial da ativa com salário superior a R$ 30 mil, o entendimento jurídico atual — reforçado pelo STF e STJ — é de que crimes contra a vida de mulheres (feminicídio) devem ser julgados pela Justiça Comum, por meio do Tribunal do Júri, e não pela Justiça Militar, devido à natureza do crime não ter nexo com a função funcional direta no momento do ato.




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