A atuação da APP-Sindicato (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) tornou-se alvo de duras críticas nesta semana, após a circulação de um manifesto assinado pela educadora Selma Kupski. O texto, que ganhou repercussão em grupos de comunicação da categoria, classifica como um “blefe” a condução do movimento paredista e denuncia um distanciamento crônico entre a cúpula sindical e a realidade dos professores no “chão da escola”.
O impasse da paralisação e o “voto de confiança” ao governo
O cerne da crítica reside nos desdobramentos da assembleia estadual realizada no último dia 14 de março. Segundo o relato de Kupski, a direção da entidade teria ignorado alertas de núcleos regionais que apontavam a inexistência de condições reais para uma greve imediata. Mesmo assim, a paralisação foi aprovada para o dia 23, sob a condição de avanço ou não das negociações com o Governo do Estado.
Para a educadora, essa tática não demonstra força, mas sim uma fragilidade estratégica que ignora a “materialidade concreta” das instituições de ensino. O recuo subsequente da direção, sem um balanço político claro, é visto pela base opositora como uma concessão perigosa ao Palácio Iguaçu, desarmando a mobilização em um momento de ataques sistemáticos à carreira docente.
Principais pontos de tensão levantados pela base:
- Subordinação a Calendários Eleitorais: O manifesto questiona se as decisões da APP estão sendo moldadas por conveniências políticas e reconfigurações eleitorais no Paraná, em detrimento da pauta trabalhista.
- Desarticulação com o FES: Critica-se a falta de unidade com o Fórum das Entidades Sindicais (FES), que buscava uma mobilização conjunta de todo o funcionalismo para o dia 17 de março.
- Crise de Representatividade: A mensagem aponta que o “imobilismo” da direção tem servido como fator de contenção da luta, mesmo diante de pautas graves como a privatização e militarização de escolas estaduais.
O cenário da educação no Paraná em 2026
O governo estadual mantém o discurso de que os canais de diálogo estão abertos e que investimentos em tecnologia e infraestrutura escolar são prioridades. No entanto, a categoria docente relata um aprofundamento da precarização e uma pressão psicológica crescente, exacerbada por modelos de gestão que priorizam metas quantitativas sobre a qualidade do ensino e a saúde do trabalhador.
A denúncia de Selma Kupski ecoa um sentimento de “impotência” que, segundo ela, desmoraliza o instrumento da greve. A solução proposta pela educadora é uma reconstrução da organização sindical partindo “de baixo”, para que a entidade volte a ser uma expressão real da unidade dos trabalhadores, e não apenas um balanço de ameaças vazias.
Situação Atual
Até o fechamento desta edição, a APP-Sindicato não havia emitido uma nota oficial respondendo especificamente aos termos do texto de Kupski, mantendo a linha de que as negociações institucionais são o caminho para garantir os direitos da categoria sem expor os profissionais a desgastes desnecessários. Enquanto isso, o clima nas escolas é de expectativa e crescente debate sobre os rumos da representação sindical no estado.




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