A movimentação política nos bastidores da direita brasileira ganhou novos contornos nesta semana. Aliados próximos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestaram preocupação com a crescente influência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sobre as decisões do ex-presidente Jair Bolsonaro. O temor central é que ela consiga persuadir o marido a retomar o chamado “plano Tarcísio”, favorecendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome principal para a disputa presidencial de 2026, em detrimento da pré-candidatura já anunciada de Flávio.
O cabo de guerra familiar e político
Embora Flávio Bolsonaro tenha sido oficializado como o porta-voz do pai e venha intensificando sua agenda como pré-candidato — inclusive com o lançamento de jingles que atacam a “terceira via” — a figura de Michelle surge como um elemento de desestabilização para o seu grupo.
- Aproximação Estratégica: Recentemente, Michelle fez gestos públicos de apoio a Tarcísio, compartilhando conteúdos do governador e sinalizando uma aliança que agrada a ala mais pragmática do PL e do Centrão.
- A “Cartada” de Michelle: Interlocutores sugerem que a ex-primeira-dama vê em Tarcísio um nome com menor rejeição e maior potencial de aglutinação, podendo ela mesma figurar em uma chapa como vice ou focar em sua própria candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, onde lidera as pesquisas.
- O Fator Domiciliar: Com a recente mudança no status jurídico de Jair Bolsonaro para prisão domiciliar, Michelle passou a ter convivência diária e direta com o ex-presidente. Esse acesso privilegiado é visto pelo entorno de Flávio como um risco à manutenção do senador como o “escolhido”.
O cenário das pesquisas
Dados recentes do Instituto AtlasIntel, divulgados em março de 2026, mostram um cenário acirrado. Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente do presidente Lula em um eventual segundo turno (47,6\% contra 46,6\%), o que dá fôlego à sua tese de que ele é o herdeiro natural dos votos do pai.
No entanto, pesquisas anteriores do Datafolha indicaram que, entre os eleitores de direita, Michelle e Tarcísio possuem índices de preferência superiores aos de Flávio (22\% e 20\%, respectivamente, contra apenas 8\% do senador), o que alimenta a narrativa de Michelle de que o “plano Tarcísio” é eleitoralmente mais seguro.
”Como a gente vai conseguir unir o Brasil se a gente não consegue unir a direita antes?”, questionou Carlos Bolsonaro em suas redes sociais, expondo a ferida aberta na comunicação do clã.
Os próximos passos da disputa
A disputa interna agora se concentra na convenção do PL e na capacidade de Flávio de provar que consegue manter a base evangélica e feminina, redutos onde Michelle detém enorme capital político




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