Brasília – Em uma sessão tensa que se estendeu até a madrugada deste sábado, 28 de março de 2026, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou o relatório final do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O placar de 19 votos contrários e 12 a favor sepultou o texto de mais de 4.300 páginas que pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o filho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha).
O impasse e as acusações
O relatório de Gaspar foi alvo de pesadas críticas da base governista, que o acusou de “instrumentalização política” e de promover uma “blindagem” a figuras ligadas ao bolsonarismo, enquanto focava em nomes próximos ao atual governo. Entre os principais pontos de discórdia estavam:
- Pedido de prisão de Lulinha: O relator sugeria a prisão preventiva do filho do presidente, alegando risco de evasão (ele reside atualmente na Espanha).
- Indiciamentos de ministros: O texto pedia a investigação de Carlos Lupi (Previdência) e também de ex-ministros da gestão de Jair Bolsonaro, como José Carlos Oliveira.
- Blindagem e Omissões: Parlamentares governistas, liderados por Randolfe Rodrigues (PT-AP), apontaram que o relator teria poupado aliados próximos e focado em desgastar a imagem da família presidencial. Em contrapartida, a oposição, encabeçada por Rogério Marinho (PL-RN), defendeu o trabalho como “brilhante”.
Manobras e o fim da comissão
Para garantir a derrota do relatório, o Palácio do Planalto realizou manobras estratégicas de última hora. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, foi exonerado temporariamente para retomar sua cadeira no Senado e votar contra o texto, substituindo sua suplente, Margareth Buzetti, que votaria a favor de Gaspar.
Com a rejeição, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou os trabalhos sem a aprovação de um documento oficial, uma vez que se recusou a colocar em votação o relatório alternativo apresentado pelos governistas — que, por sua vez, pedia o indiciamento de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro por crimes contra idosos.
O que acontece agora?
Apesar da falta de um relatório aprovado pelo colegiado, o senador Carlos Viana afirmou que enviará as provas colhidas durante os sete meses de investigação ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Os envolvidos nas irregularidades bilionárias contra aposentados serão punidos, com ou sem a aprovação deste texto”, declarou o senador.
A investigação focou em um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados, que teria movimentado cerca de R$ 3,5 bilhões através de entidades que simulavam vínculos associativos.




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