Ratinho Jr. e o recuo estratégico: os fantasmas da privatização da Copel

O cenário político paranaense foi sacudido recentemente por movimentações que sugerem um rastro de cautela no Palácio Iguaçu. Após um período de intensa exposição e decisões assertivas, o governador Ratinho Jr. (PSD) parece ter adotado uma postura de recuo em determinadas frentes, levantando questionamentos sobre os reais motivos por trás dessa súbita mudança de ritmo. No centro das especulações, surge novamente o fantasma da privatização da Copel, um processo marcado por celeridade extrema e críticas severas quanto à transparência.


O peso da “Corporação” e as denúncias de falta de transparência

A transformação da Copel em uma Corporation (empresa de capital disperso sem controle estatal direto) foi o projeto de maior envergadura da gestão Ratinho Jr., mas o método utilizado continua a gerar ruídos. Analistas e opositores apontam que o regime de urgência imposto na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) impediu um debate técnico profundo sobre a avaliação dos ativos da companhia.

As principais frentes de desgaste envolvem:

  • A pressa na liquidação: A venda foi concluída em um momento de volatilidade do mercado, o que, para críticos, pode ter subestimado o valor real da maior joia da coroa paranaense.
  • Questionamentos jurídicos: Diversas ações populares e denúncias em órgãos de controle fiscal buscam reavaliar a legalidade do processo, focando na suposta falta de clareza nos editais e nos benefícios a grupos financeiros específicos.

Medo ou estratégia política?

O “medo” citado nos bastidores da política local não seria necessariamente de uma derrota imediata, mas sim das consequências jurídicas a longo prazo. Com a mudança de ventos na política federal e o endurecimento da fiscalização sobre processos de privatização estadual, qualquer irregularidade técnica no caso Copel pode se tornar uma armadilha judicial para o governador.

Além disso, o recuo em outras pautas indica uma tentativa de preservação de capital político para 2026. Ratinho Jr. sabe que, se o processo da Copel for alvo de uma investigação mais robusta, seu principal troféu administrativo pode se transformar em seu maior passivo eleitoral.


“O problema de processos feitos a toque de caixa é que as arestas não aparadas costumam aparecer justamente quando o gestor mais precisa de estabilidade.”

O que esperar agora?

A oposição promete intensificar a fiscalização sobre os contratos pós-privatização e o destino dos recursos bilionários arrecadados, que deveriam ser aplicados em infraestrutura, mas que ainda geram dúvidas sobre sua execução prática e cronograma.

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