ALEP sob Vigilância: Além de Adriano José, outros parlamentares enfrentam o Ministério Público no Paraná

As investigações do Ministério Público do Paraná (MPPR) e do GAECO não se limitam ao caso de Adriano José. Entre o final de 2025 e este início de 2026, a Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) vive um período de intensa atividade fiscalizatória, com diversos nomes de peso da política estadual envolvidos em acordos judiciais ou novas operações.

O cenário atual revela um padrão de investigações focadas em três eixos: desvio de salários (rachadinha), improbidade administrativa em gestões anteriores e irregularidades em licitações.

Principais nomes e casos em destaque no Paraná (2025-2026)

Parlamentar / PolíticoPartidoSituação Atual (2026)Principal Acusação
Samuel DantasSolidariedadeInvestigado pelo GAECOSuspeita de “rachadinha” e peculato após denúncia de ex-assessor.
Ademar TraianoPSDCumprindo ANPP*Confessou recebimento de propina (R$ 300 mil) em contrato da TV Icaraí.
Marcelo RangelPSDAcordo com o MPImprobidade administrativa (evitou inelegibilidade via acordo em Jan/2026).
Moacyr FadelPSDAcordo com o MPIrregularidades em períodos como prefeito; acordo firmado para manter mandato.
Beto RichaPSDBProcessos AnuladosTeve ações da “Quadro Negro” e “Rádio Patrulha” anuladas pelo STF/TRE.
  • ANPP: Acordo de Não Persecução Penal. O investigado confessa o crime e paga multa para não ser processado criminalmente.

Os escândalos que definem o momento político

1. O caso Samuel Dantas: Operação na ALEP

Em fevereiro de 2025, o GAECO cumpriu 23 mandados de busca e apreensão no gabinete de Samuel Dantas. A investigação é muito similar à de Adriano José: um ex-assessor entregou provas de que parte dos salários era desviada para o deputado. O processo segue em fase de análise de dados de celulares e computadores apreendidos.

2. Ademar Traiano e a confissão de propina

O atual presidente da ALEP, Ademar Traiano, vive uma situação singular. Ele admitiu ao Ministério Público ter solicitado e recebido dinheiro de um empresário para renovar contratos de comunicação da casa. Embora tenha firmado um acordo para não ser preso, sofre forte pressão de setores do judiciário e de senadores paranaenses, que consideram sua permanência no cargo “inadmissível” após a confissão.

3. Os “Acordos de Limpeza” nos Campos Gerais

Deputados como Marcelo Rangel (Ponta Grossa) e Moacyr Fadel (Castro) utilizaram instrumentos jurídicos recentes para encerrar processos de improbidade. Ao pagarem multas e aceitarem sanções financeiras em janeiro de 2026, eles limparam seus históricos para garantir a participação nas próximas eleições, evitando a Lei da Ficha Limpa.

4. Reviravolta de Beto Richa

O ex-governador e atual deputado federal Beto Richa conseguiu, entre 2024 e 2025, vitórias importantes nos tribunais superiores. Baseado no entendimento de “conluio” entre juízes e promotores (similar ao ocorrido na Lava Jato), as provas da Operação Quadro Negro (desvios em escolas) foram anuladas, mudando o rumo das investigações que duravam quase uma década.

O que observar daqui para frente?

A estratégia de muitos parlamentares em 2026 tem sido buscar o Ministério Público para propor acordos antes que os processos cheguem ao julgamento final. Isso cria uma divisão na opinião pública: de um lado, a recuperação rápida de valores desviados; de outro, a sensação de impunidade, já que os mandatos são preservados.

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