Disputa entre Moro e Requião Filho redesenha forças na Alep

A política paranaense atravessa um momento de rearranjo profundo com a consolidação de dois nomes opostos na liderança das pesquisas para o governo em 2026: o senador Sérgio Moro e o deputado estadual Requião Filho. Se este cenário de segundo turno se concretizar, o impacto na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) promete ser o maior em décadas, forçando uma renovação que vai além das cadeiras e atinge a própria lógica das bancadas.

O racha na direita e a nova base de Moro

A recente filiação de Sérgio Moro ao PL, sob as bênçãos de Flávio Bolsonaro, alterou o tabuleiro. Embora Moro lidere as pesquisas com índices que chegam a 47% em alguns cenários, sua chegada ao partido causou uma “debandada” de prefeitos e lideranças ligadas ao deputado Fernando Giacobo, que criticam a quebra de acordos regionais.

Caso Moro vença, a renovação na ALEP viria através de uma base fortemente ideológica ligada ao bolsonarismo, mas com o desafio de pacificar o “racha” interno do próprio PL e do União Brasil. Espera-se a ascensão de novos nomes que surfem na onda da segurança pública e do combate à corrupção, temas centrais do ex-juiz.

A resiliência da oposição com Requião Filho

Do outro lado, Requião Filho (PDT) aparece consolidado como o principal nome do campo progressista, com cerca de 23% a 26% das intenções de voto. Sua estratégia foca em:

  • Crítica à gestão Ratinho Jr.: Focando em temas como o novo modelo de pedágio e a transparência pública.
  • Aliança com o PT: A liderança da bancada de oposição na ALEP já está sob o comando de Ana Júlia (PT), sinalizando que uma vitória de Requião traria uma renovação focada em servidores públicos e políticas sociais, fortalecendo nomes da esquerda que hoje são minoria na Casa.

O fator “vácuo” de Ratinho Júnior

O atual governador, Ratinho Júnior (PSD), mantém uma aprovação altíssima (84%), mas ainda não definiu um sucessor oficial. Nomes como Alexandre Curi (atual presidente da ALEP) e Rafael Greca aparecem bem posicionados, mas a força de Moro e Requião pode esvaziar a “terceira via” governista. Se a disputa se polarizar entre os dois, a ALEP poderá ver figuras históricas do PSD perdendo espaço para novos parlamentares impulsionados pelas máquinas partidárias de Moro (PL) e Requião (PDT/PT).


Análise Técnica: A renovação em 2026 será influenciada pelo fim das coligações proporcionais e pelo desempenho das federações. A estimativa é que o índice de renovação da ALEP, que costuma girar em torno de 40%, possa superar os 50% devido ao isolamento de grupos tradicionais frente à nova polarização estadual.

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