O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), oficializou nesta semana uma profunda reforma administrativa em seu primeiro escalão. Ao todo, 19 nomes, entre secretários de Estado e diretores de órgãos estratégicos, deixaram seus cargos para cumprir o prazo de desincompatibilização exigido pela Justiça Eleitoral. A medida é obrigatória para quem pretende disputar cargos eletivos no pleito de outubro de 2026.
As saídas, publicadas em edições recentes do Diário Oficial do Estado (DOE), atingem áreas sensíveis como Saúde, Segurança Pública, Infraestrutura e Cidades, além de cargos de confiança direta no Palácio Iguaçu, como a Chefia de Gabinete e a Subchefia da Casa Civil.
Principais nomes e as movimentações políticas
A reforma marca o início oficial da corrida sucessória no estado e os planos do grupo governista para o Senado e a Câmara Federal. Entre os destaques estão:
- Guto Silva (Secretaria das Cidades): Um dos nomes mais próximos do governador, Silva é apontado como um forte pré-candidato ao Governo do Estado ou ao Senado. Sua saída da pasta de Cidades, que possui grande capilaridade nos 399 municípios, é vista como estratégica.
- Beto Preto (Saúde) e Sandro Alex (Infraestrutura): Ambos devem focar em suas bases eleitorais para buscar a reeleição ou novos espaços no Legislativo Federal.
- Rafael Greca (Desenvolvimento Sustentável): O ex-prefeito de Curitiba, que integrava o secretariado, também se afastou, reforçando os rumores de que poderá disputar uma vaga na majoritária (Governo ou Senado).
- Hudson Teixeira (Segurança Pública) e Leonaldo Paranhos (Turismo): Embora exonerados de suas pastas originais, foram realocados em funções administrativas na Casa Civil, o que permite que continuem no governo até o limite final do prazo para determinadas candidaturas ou até que a estratégia de chapa seja definida.
O cenário para 2026
A movimentação em massa ocorre no momento em que o próprio Ratinho Junior é citado como um dos nomes do PSD para uma possível disputa presidencial ou uma vaga ao Senado Federal. A saída dos secretários permite que o governador teste novos nomes na gestão técnica enquanto o tabuleiro político se acomoda.
O que diz a lei
A legislação eleitoral brasileira exige que ocupantes de cargos públicos que desejam se candidatar nas eleições se afastem de suas funções seis meses antes do pleito (prazo de 4 de abril para as eleições de 2026). O descumprimento desta regra resulta em inelegibilidade, impedindo o registro da candidatura pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
As novas nomeações para ocupar as vacâncias deixadas pelos secretários devem ser anunciadas gradualmente pelo Palácio Iguaçu nos próximos dias, priorizando perfis técnicos para garantir a continuidade dos projetos estaduais até o fim do mandato.




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.