Em um desdobramento crucial para as investigações sobre o esquema nacional de descontos indevidos em benefícios previdenciários, o empresário Maurício Camisotti formalizou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). Apontado como peça-chave na movimentação financeira de entidades acusadas de lesar milhares de aposentados, Camisotti admitiu sua participação nas irregularidades e agora busca benefícios como a prisão domiciliar.
O esquema e a “farra das associações”
As investigações, impulsionadas por reportagens do portal Metrópoles e consolidadas em operações como a “Sem Desconto” e “Cambota”, revelaram um sistema onde associações e sindicatos realizavam descontos de mensalidades sem a autorização de aposentados e pensionistas. Segundo auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU), cerca de 98% dos beneficiários afetados afirmaram nunca ter permitido tais retiradas.
Camisotti, que estava preso desde o segundo semestre de 2025, é apontado pela PF como um “sócio oculto” e operador financeiro de pelo menos três associações que teriam faturado cifras bilionárias. Estima-se que o esquema tenha movimentado mais de R$ 2 bilhões entre 2024 e 2025, afetando a subsistência de brasileiros vulneráveis.
Últimas novidades e desdobramentos judiciais
Nesta semana, a defesa do empresário encaminhou a documentação do acordo ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que é o relator do caso. A expectativa é que a homologação ocorra nos próximos dias, após análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Em troca da redução de pena e do regime domiciliar, Camisotti comprometeu-se a detalhar o funcionamento do “laranjal” de entidades e a identificar outros envolvidos, incluindo possíveis agentes públicos que facilitaram o acesso aos sistemas da Previdência Social.
Impacto político e administrativo
O caso já gerou ondas de choque em Brasília. Recentemente, a Polícia Federal deflagrou a Operação Recidiva, focada em novos núcleos que tentavam reativar as fraudes. No âmbito político, a crise levou à demissão de cúpulas do INSS e do próprio Ministério da Previdência Social em 2025, após a revelação de que o órgão demorou a agir contra as entidades suspeitas.
Com a delação de Camisotti — a primeira firmada no âmbito desta investigação específica —, a PF espera recuperar ativos desviados e desmantelar permanentemente a rede que transformou o desconto associativo em um mercado ilícito de bilhões de reais.
Empresário confessa fraudes no INSS e assina acordo de delação premiada com a Polícia Federal




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