Ex-chefe do BC recebeu R$ 4 mi de operador do Master e usou relatório para esconder propina, diz investigação

BRASÍLIA – Uma investigação interna conduzida pelo Banco Central (BC), concluída em março de 2026, aponta que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, teria simulado contratos de consultoria para mascarar o recebimento de R$ 4 milhões em propina. O montante teria sido pago por um advogado ligado ao Banco Master, com o objetivo de favorecer a instituição financeira em processos de fiscalização.
O relatório da comissão de sindicância patrimonial do BC, cujos detalhes emergiram nesta sexta-feira (10 de abril), revela que os serviços descritos nos contratos — teoricamente voltados a projetos sociais e consultorias privadas — não possuíam comprovação de execução técnica que justificasse os altos valores. Segundo a auditoria, a estrutura foi montada para dar aparência de legalidade ao fluxo de dinheiro originado por operadores do banqueiro Daniel Vorcaro.

Os pontos centrais da investigação

A sindicância, instaurada por determinação da atual gestão do BC sob o comando de Gabriel Galípolo, detalha como o esquema teria operado dentro da autoridade monetária:

  • Contratos de Fachada: Foram identificados dois contratos que somam R$ 4 milhões com uma empresa ligada a Fabiano Zettel, apontado como operador de Vorcaro.
  • Conflito de Interesses: Belline Santana utilizava sua posição de liderança na supervisão bancária para orientar o Banco Master sobre como evitar sanções e facilitar processos internos de liquidação e fusão.
  • Vazamento de Informações: Mensagens interceptadas mostram que o ex-servidor antecipava movimentos da fiscalização, funcionando como uma espécie de “gabarito” para que o banco corrigisse irregularidades antes de inspeções oficiais.
    A Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, reforça que o caso não se limita a ganhos financeiros, mas envolve o comprometimento da credibilidade do sistema financeiro nacional. Outro ex-diretor do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, também é alvo das apurações por condutas semelhantes.

Desdobramentos judiciais

Em março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o afastamento judicial e o uso de tornozeleira eletrônica para os envolvidos. A investigação revelou ainda que o grupo teria acessado ilegalmente bases de dados da própria PF e da Interpol para monitorar o avanço das apurações contra o conglomerado financeiro.

Outro lado

Em nota, a defesa de Belline Santana negou veementemente qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que o ex-servidor nunca adotou medidas que beneficiassem indevidamente qualquer conglomerado e que suas atividades privadas eram compatíveis com o cargo, focando em “serviços de caráter social para promoção de igualdade”. A defesa ressalta que aguarda o “regular contraditório” para provar a idoneidade do cliente.
O empresário Daniel Vorcaro, através de seus representantes, declarou que está colaborando integralmente com as autoridades e confia que o devido processo legal demonstrará a regularidade de suas operações e o cumprimento das normas do sistema financeiro. O Banco Master reitera que segue padrões rigorosos de governança e que os fatos isolados mencionados não refletem a operação institucional do banco.

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