Criminosos gravam furtos em São Paulo e ostentam delitos em redes sociais enquanto Senado discute aumento de penas

A modalidade de crime em São Paulo ganhou contornos de espetáculo digital. Criminosos estão utilizando as redes sociais para divulgar vídeos de furtos de celulares cometidos na capital paulista, muitas vezes acompanhados de trilhas sonoras e deboche. As imagens, que mostram desde a abordagem rápida — o famoso “bote” — até a fuga, têm como objetivo a autoafirmação dentro de grupos criminosos e o desafio às autoridades.

A “estética do crime” nas plataformas digitais

Levantamentos recentes do portal g1 identificaram dezenas de perfis, especialmente no Instagram, que replicam essas ações. Nas legendas, os responsáveis costumam citar o Artigo 155 do Código Penal, que define o crime de furto, como uma espécie de “selo” de suas atividades.
A exposição não se limita apenas ao ato da subtração. Os perfis também são usados para:

  • Exibição de lucros: Fotos de maços de dinheiro e dezenas de aparelhos enfileirados após os crimes.
  • Comunicação entre infratores: Uso de gírias e emojis específicos para indicar locais de atuação e “sucesso” nas missões.

Reação legislativa e segurança pública

Enquanto a ostentação cresce no ambiente virtual, o Senado Federal iniciou 2026 com o foco voltado para o endurecimento das leis. O Projeto de Lei 494/2025, de autoria do senador Flávio Bolsonaro e em tramitação na Comissão de Segurança Pública (CSP), propõe transformar o furto de celular em furto qualificado, dobrando a pena atual (que passaria a ser de quatro a oito anos de reclusão).
A justificativa para o rigor é o potencial de dano após o furto. “O aparelho deixou de ser apenas um bem material para se tornar um portal de acesso a dados bancários e vida privada”, afirmam os relatores. Além disso, a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) assinaram, no fim de 2025, um acordo de cooperação técnica para reforçar o combate aos crimes cibernéticos, visando rastrear a origem dessas postagens e identificar os autores por trás dos perfis.

Dados e prevenção

Apesar do fenômeno digital, a SSP reportou uma queda de 20% nos roubos de celulares na capital no primeiro bimestre de 2026, fruto de operações focadas em receptação. Entretanto, bairros como Pinheiros, Perdizes e Sé continuam no topo do ranking de ocorrências.

Nota da Redação: Especialistas em segurança digital recomendam que as vítimas, além de registrar o Boletim de Ocorrência, utilizem ferramentas como o “Celular Seguro” do Governo Federal para bloqueio imediato de contas bancárias e do IMEI do aparelho, dificultando a comercialização e a “ostentação” por parte dos criminosos.

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