Prefeitura de São Paulo e Coopamare travam disputa judicial por despejo de cooperativa histórica em Pinheiros


Com quase 40 anos de atuação na capital paulista, a Cooperativa de Catadores Autônomos de Papel, Papelão, Aparas e Materiais Reaproveitáveis (Coopamare) enfrenta um de seus momentos mais críticos. Considerada a mais antiga do Brasil em atividade, a entidade recebeu recentemente uma ordem de desocupação da Prefeitura de São Paulo, estabelecendo um prazo de 15 dias para que os trabalhadores deixem o espaço que ocupam sob o Viaduto Paulo VI, na Zona Oeste.
O impasse coloca em lados opostos a gestão municipal e as dezenas de famílias que dependem da reciclagem para sobreviver. De um lado, a Subprefeitura de Pinheiros justifica a medida com base em um laudo técnico que aponta riscos de incêndio no local, além de alegar que a permissão de uso do espaço está cancelada desde 2023. Segundo a administração, o objetivo é realizar uma reforma estrutural e requalificar a área para outras atividades sociais.
Por outro lado, os cooperados e defensores da causa argumentam que a saída forçada representa a “morte” de um projeto social consolidado. Os catadores afirmam possuir laudos do Corpo de Bombeiros que atestam a segurança do galpão e contestam as alternativas oferecidas pela prefeitura. De acordo com a liderança da Coopamare, os quatro terrenos sugeridos pela gestão de Ricardo Nunes ficam em regiões distantes ou possuem limitações estruturais que inviabilizariam a operação logística de coleta na região de Pinheiros.

Os principais pontos do conflito:

  • Histórico: A Coopamare foi fundada em 1989 e é pioneira no modelo de coleta seletiva autogestionada, servindo de exemplo internacional para políticas de sustentabilidade.
  • O Argumento da Prefeitura: Risco iminente de segurança (incêndio) e necessidade de reforma no Viaduto Paulo VI. A gestão afirma que tentou negociar áreas alternativas sem sucesso.
  • O Argumento dos Catadores: Inviabilidade de mudança para locais distantes, o que quebraria o vínculo com os geradores de resíduos da região e aumentaria os custos de transporte, condenando a cooperativa à falência.
  • Impacto Social: Atualmente, mais de 80 pessoas tiram seu sustento direto da triagem realizada no local.
    A repercussão do caso mobilizou movimentos sociais e parlamentares. Recentemente, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania tem acompanhado a situação de cooperativas em São Paulo, reforçando a importância de equipamentos para o fortalecimento da categoria. Enquanto a defesa da cooperativa apresenta recursos para suspender a ordem, o clima sob o viaduto é de incerteza, com os trabalhadores lutando para manter vivo o legado da reciclagem no coração da cidade.

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