A cidade de Ouro Verde, no Oeste de Santa Catarina, tornou-se o marco inicial de uma nova era para a matriz energética brasileira. Com um investimento aproximado de R$ 65 milhões, a unidade produzida pela Primogás em parceria com a Castro Energias recebeu o aval definitivo da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para comercializar biometano em escala industrial.
Esta é a primeira planta do Brasil a utilizar exclusivamente resíduos da suinocultura para a geração deste combustível renovável, posicionando o estado — que já é o maior produtor de suínos do país — na vanguarda da economia circular.
Transformação de passivo ambiental em ativo financeiro
O projeto soluciona um dos maiores desafios do setor produtivo catarinense: o descarte de dejetos. O que antes era um passivo ambiental com alto potencial poluidor, agora é transformado em biometano, um gás com pureza superior a 95% de metano, quimicamente equivalente ao gás natural veicular (GNV).
- Capacidade de produção: A usina tem potencial para processar toneladas de resíduos diariamente.
- Logística: O combustível será transportado via carretas (“gasoduto móvel”) para indústrias da região, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis importados.
- Sustentabilidade: Além do gás, o processo gera o biofertilizante, que retorna às lavouras locais, fechando o ciclo produtivo sem desperdícios.
Impacto econômico e as últimas atualizações do setor
De acordo com dados recentes do setor de biogás no Brasil, Santa Catarina tem potencial para suprir boa parte da demanda industrial do Grande Oeste com fontes renováveis. A autorização da ANP para a planta de Ouro Verde é vista por especialistas como um “divisor de águas”.
Atualmente, o governo federal, por meio do programa Gás para Empregar, e o governo estadual buscam incentivar a interiorização do gás. A expectativa é que a usina de SC sirva de modelo para outras 400 mil propriedades rurais no Brasil que lidam com a criação de animais.
Por que o biometano é o futuro?
Diferente do biogás comum, o biometano passa por um processo de “refino” (purificação) que remove impurezas como dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio. O resultado é um combustível extremamente eficiente que pode ser injetado diretamente em motores de caminhões e máquinas agrícolas, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa em até 90% em comparação ao diesel.
“Este projeto prova que o agronegócio e a sustentabilidade não são apenas compatíveis, mas parceiros lucrativos”, afirma a gestão técnica do empreendimento.
Com a operação a pleno vapor, Santa Catarina não apenas exporta carne para o mundo, mas começa a consolidar sua independência energética através do reaproveitamento inteligente de seus próprios recursos naturais.




